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Publicado em Terça, 15 de Março de 2016 - 23h15

Criador de gado leiteiro, Walter Waltenberg investe em produção de leite tipo A

Da Redacao


O cidadão de Porto Velho tem à disposição um leite produzido com qualidade garantida através da aplicação dos padrões de boas práticas no campo e na indústria. A agroindústria “Leite Fresquinho”, do condomínio Don Henrique, investe pesado para dominar toda a cadeia produtiva, desde a seleção de touros e doadoras para produção de embriões, passando pelo manejo dos animais, as chamadas “vacas felizes”, até a perfeita rastreabilidade do leite, selecionando cada fornecedor para por na mesa do consumidor um produto de excelência. Nas páginas amarelas de VISÃO, o criador Walter Waltenberg da Silva Junior conta a história do Leite Fresquinho, os novos investimentos em iogurte zero lactose e zero açúcar, os programas para aumento da produtividade através de tecnologias nas pastagens e na genética dos animais. Formado em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Waltenberg é desembargador em Rondônia, mas dedicou-se ao campo junto com o filho e seus sócios Luis Carlos Oliveira e Luismar Batista de Souza. As boas práticas no campo, aplicadas na Don Henrique e arrendamentos, garantem lucros e qualidade na mesa do consumidor.

O senhor sempre foi ligado ao setor produtivo ou resolveu investir agora no ramo da pecuária leiteira?

Eu sempre gostei de morar na zona rural e isso na verdade começou em Rolim de Moura, onde comprei um sítio e duas vacas que me disseram que dava leite. A partir de 1987, comecei a estudar a pecuária leiteira como hobby e acabou se tornando um passatempo muito sério. Depois, para agregar qualidade e valor ao litro de leite, resolvi  montar um laticínio com os sócios Luis Carlos Oliveira e Luizmar Batista de Souza, também produtores de leite, para a produção de leite tipo C. Daí a produzir o leite tipo A, que hoje é o único dessa qualidade em Rondônia, foi um pulo. Então uma coisa vai puxando a outra. Acabei por me interessar pelo estudo da genética, investindo alguma coisa com recursos do Banco da Amazônia na produção de novilhas Girolando de alta lactação; e tenho participado de muitos cursos e congressos sobre pastagens, genética, nutrição animal, cria e recria em pasto rotacionado de alta qualidade.

Seus familiares também trabalham no campo?

Meu pai sempre foi do asfalto, magistrado em Minas Gerais. Estou iniciando uma geração que espero que se perpetue através dos meus filhos. Já tenho um filho que está me ajudando. Ele é gerente do laticínio, que é administrado pelo Dr. Luis Carlos. Tenho outro filho bem pequeno que também gosta muito de animais. Pode ser que ele também enverede por essa área. Quanto a mim, estou gostando muito de criar.

A tendência então é aumentar a produção do Leite Fresquinho no Estado.

Tenho estado presente a algumas reuniões que a Emater tem feito para desenhar o projeto "Mais Leite em 2018". É desejo do Governo do Estado ampliar a produção leiteira de Rondônia. Nós estamos traçando juntos as metas de um grande projeto que vai demandar o concurso de diversos criadores na produção de animais de alta lactação. As exigências para participar do programa são muito grandes. A Emater está identificando pecuaristas da bovinocultura leiteira familiar que produzam pelo menos 200 litros de leite por dia, que sejam proprietários do imóvel onde residem e tenham mão de obra familiar empregada na produção. A Emater vai fornecer assistência técnica, do projeto à produção, e o Banco da Amazônia o aporte financeiro para que cada produtor tenha 2 hectares de pasto de muito boa qualidade para fazer o pastejo rotacionado, ordenha mecânica, resfriador na sala de ordenha, silagem de milho e matrizes de alta lactação. Essas matrizes deverão ser provenientes de criatórios em atividade há mais de 5 anos, de todo o país. As mães dessas matrizes obrigatoriamente terão que ser Gir Leiteiro com lactação oficial comprovada de 305 dias de pelo menos 6 mil quilos. Os pais dessas matrizes também deverão ser touros provados em ranking nacional ou internacional que transmitam raça, leite, bons aprumos, úberes firmes, de modo que o produtor rural, além de se tornar parceiro de um projeto que só aceita matrizes de alta lactação, também vai se tornar fornecedor de genética de alta qualidade para os amigos e vizinhos. Quanto à Leiteria Fresquinho, nosso projeto de expansão tanto contempla a distribuição de franquias como a construção de um laticínio de médio porte em Nova Dimensão ou União Bandeirantes.

Porque o senhor e seus sócios optaram por usar a embalagem chamada “barriga mole” ao invés da embalagem Tetra Pak? Foi por causa da economia ou qualidade?

As duas coisas se juntaram porque pra você empacotar com lucro o Tetra Pak é preciso processar pelo menos 40 mil litros de leite /dia. Também foi uma preocupação que eu e meus sócios tivemos desde o início a questão da rastreabilidade do leite. Nós precisamos estar certos, todo dia, da qualidade do leite que estamos entregando à população. Nós acabamos por criar um conceito profissional nas nossas respectivas profissões e resolvemos não arriscar nossa credibilidade produzindo leite sem origem definida. Em função da rastreabilidade, nós temos poucos fornecedores, de modo que não poderíamos alcançar a média de produção que dá lucro com o Tetra Pak. O nosso laticínio processa 2 mil litros de leite por dia. Juntou-se a essa preocupação também o fato de que o leite pasteurizado mantém vivos lactobacilos probióticos e bactérias ácido lácticas benéficas ao organismo, enquanto o ultrapasteurizado a altas temperaturas -UHT - é uma calda de minerais sem vida. Quando você expõe o leite pasteurizado ao calor ele se transforma em coalhada, mantendo toda a bacteriologia "do bem" por assim dizer. Esse também foi um fator para que nós tenhamos optado por esse caminho e mesmo se pudesse ter condições de produzir o UHT continuaria insistindo no barriga mole, ainda que a logística seja diferente e o custo de distribuição seja alto.

Quem é o consumidor do Leite Fresquinho?

O leite tipo A é distribuído nos supermercados e algumas panificadoras, para consumo individual. Nós identificamos uma tendência de consumo por parte de crianças e idosos, com pais preocupados com a forma de elaboração dos alimentos consumidos por seus filhos. Isso vai se espalhando boca a boca, e as pessoas começam a buscar um alimento com mais valor agregado. O leite B, de igual qualidade, até em função da pequena quantidade de produção, é destinado à indústria, como a Granopan, e às padarias, para emprego na elaboração de pães, bolos e doces.

No início do negócio o “barriga mole” deu prejuízo?

Até hoje eventualmente nós temos prejuízos. Agora por exemplo, como nós temos um número fechado de fornecedores, nessa seca que estamos vivendo aí a produção caiu demais e os custos fixos continuam os mesmos. Então nós temos que colocar dinheiro. Estamos devagarinho, com ajuda da Emater, identificado novos fornecedores. O dr. Luiz está finalizando um projeto que ele chama de Piraruleite, que é a irrigação das pastagens que vão servir para as vacas leiteiras com resíduos líquidos da criação do pirarucu, uma integração bastante interessante, que deve produzir 1 mil litros de leite por dia com baixíssimo emprego de fertilizantes industriais. Eu também estou aumentando consideravelmente a minha produção. Devo produzir entre 800 a 1 mil litros de leite tipo A por dia, até o fim do ano. Os parceiros estão sendo incentivados também, compraram trator em grupo, construíram silos para época da seca e estão adquirindo animais com genética de boa qualidade. Animais que eu criei e acabei fornecendo para eles. De modo que a expectativa é fechar 2016 com a produção de 5 mil litros de leite por dia.

Vai mais de que dobrar a produção de leite, já que hoje são processados 2 mil litros por dia.

Sim. Mais que dobrar, mas vamos dividir esse volume em novos lançamentos. Vamos lançar o leite zero lactose, o iogurte zero lactose e zero açúcar com pedaços de ameixa, e iogurte com calda e pedaços de banana e morango. Até o fim do ano a novidade estará no mercado.

Fala-se muito no setor produtivo das chamadas "boas práticas" para melhorar a qualidade do produto levado à mesa do consumidor. Como o senhor tem aplicado esse conceito em sua propriedade?

Nós distribuímos o leite no saquinho onde está escrito que ele é produzido por "vacas felizes alimentadas a pasto". Não é uma coisa que a gente criou. O conceito happy cow tem padrão internacional de bem estar animal. Isso significa que o animal é criado nas condições em que ele foi encontrado primitivamente, pastando com liberdade junto à sua cria, tratado com respeito e ética, sem gritos ou agressão. O animal acaba gostando de pessoas. Recentemente trouxe o Nilson, um especialista em bem estar animal, que veio de Uberaba para dar um curso aos nossos colaboradores. Foi importante porque estamos fazendo os animais gostarem de pessoas desde o nascimento. Ele nos ensinou toda a técnica de aproximação, respeitando o limite que o animal coloca para você se aproximar dele. Aos poucos conquistamos a confiança, até que possamos escova-lo, dar carinho, passar por baixo. Tanto os animais que usamos para ordenhar quanto os que são comercializados tem essa característica de docilidade. Fazemos a seleção genética, afastando os animais estressados e violentos da propriedade. A vaca feliz é uma vaca que tem seu bem estar respeitado. Ela tem um pastejo sombreado, seus lugares de repouso são limpos, a água é de boa qualidade, tudo isso reflete na qualidade do leite. Para consumir o Leite Fresquinho, o consumidor não precisa ferver, ele já vem pronto para o consumo. Quem gosta de tomar leite quentinho, deve aquecê-lo um pouco, mas não ferve-lo para não perder os benefícios de sua composição para o bom funcionamento da saúde de modo geral. Também é muito empregado para a produção caseira de iogurte e ricota.

E a produção das matrizes?

Hoje temos, eu, Luiz e Luizmar algumas doadoras de embrião, adquiridas em fazendas especializadas, mas também compro embriões de Evandro Guimarães, Gabriel Donato, Kinkão, Adriano Bicalho. São donos de matrizes Gir Leiteiro fantásticas, de altíssima produção, que cruzamos com Wildman, Mccutchen, Everett e outros raçadores Holandeses provados, visando a produção de animais Girolando rústicos, saudáveis e muito leiteiros. Com o tempo de aposentadoria se aproximando, não quero me arriscar a entregar um gado qualquer. Quero continuar no agronegócio, conhecido como produtor caprichoso, e cada vez mais busco garantir a qualidade e aptidão leiteira dos animais que produzo.

O senhor anunciou agora a pouco na entrevista o lançamento do iogurte zero açúcar e lactose e o leite tipo A zero lactose, mas essa crise não assusta o setor produtivo?

Não, por diversas razões. A principal delas é que, é óbvio, as pessoas não vão parar de comer. Mesmo na crise quem está no agronegócio  continua muito bem. Tenho amigos que são plantadores de soja e continuam plantando; são confinadores de bovinos e continuam confinando; são criados de bovino a pasto para corte e continua investindo em suas criações. O  agronegócio é o setor primário na economia e se destina a atender as necessidades básicas da população. Essas necessidades continuarão a ser atendidas e de modo algum se pensou em frear qualquer tipo de investimento. Os parceiros, notadamente o Banco da Amazônia, não investe naquilo que tem probabilidade de dar errado, se o banco continua aberto, praticando um dos percentuais de juros mais baratos do mundo para prestigiar os negócios, então fazemos a nossa parte, que é planejar e levar o projeto para ser aprovado,  utilizando esses recursos para alavancar o setor produtivo.


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