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Publicado em Sexta, 28 de Fevereiro de 2014 - 09h48

Despudoramento total

David Nogueira


Despudoramento total

“Em política vale tudo, menos perder...”

Se tal frase não mais choca os seus calejados ouvidos peludos e até se reveste de certa lógica e grau de normalidade... xi!!! Lascou-se!  Tenho a confessar uma coisa que deverá ficar entre nós: seu caráter vale bem menos do que aquilo que o gato, silenciosa e discretamente, enterra nos recantos escondidinhos da cidade. Entretanto, faz-se importante lembrar, o mau cheiro desse caráter exala feio e, igualmente a um rabo equino crescendo para baixo, tem o poder de acompanhá-lo por um bom tempo.

2. Disputas e limites

Sabemos não ser a política um clube de risonhos querubins jogando pétalas sobre um bucólico riacho em tarde ensolarada de primavera. A política, por mais que nos doa aceitar em início de jornada, é espaço de disputas acirradas. Por vezes, não raro, elas são necessariamente despudoradas e constrangedoras. Conflitos de interesses e de caminhos antagônicos são postos em choque direto a todo instante. Como definiu Cesare Pavese, “a política é a arte do possível”. No entanto, os limites desse possível precisam ser respeitados para que os seres humanos mortais consigam identificar até onde iriam seus digníssimos representantes em momentos de escolha. E é nesses momentos limítrofes que o caráter verdadeiro aflora.

3. Comandar um processo X Ser parte de um processo

Na política, os cidadãos estão carecas de saber, não se faz composição e aliança com iguais. Os iguais estão juntos e sob o mesmo teto. As alianças são feitas com diferentes. Não me refiro a receber apoios secundários dentro de um processo no qual o comando ideológico e programático está absolutamente todo sob o controle de uma visão historicamente harmônica, soberana e inquestionável. Nesses casos de presença residual de pensamento ideológico extremamente distinto, a nódoa configura-se fraca para tirar a atenção da vestimenta. Apesar dos pesares, ela (a nódoa) existe e lá estará, mas é detalhe incapaz de contaminar irremediavelmente o todo. O problema emerge quando a junção vem completamente travestida de adesismo, capitulação e ilusão pela conquista do poder.

4. O doce veneno do Poder

A crise maior está naqueles que já exerceram algum tipo de poder e, na iminência de caírem no ostracismo, embarcam em processo de desespero congênito... quase paranoico. Seus órgãos mais mixurucas, particularmente o cérebro, entram em colapso total. Esquecem-se por completo das lutas históricas e dos princípios basilares que os conduziram até aquele ponto onde hoje estão. Sem dúvidas, as idas e vindas de um processo democrático são saudáveis e especialmente necessárias. Aprendemos coisas no início de nossas vidas as quais vamos esquecendo (ou minimizando) ao longo da jornada. Ainda assim, creio fervorosamente, há fronteiras a serem respeitadas e jamais ultrapassadas.

5. Os limites valem para todos

Em política, o pragmatismo revela-se importante, conveniente e necessário. No entanto, para os militantes da esquerda,  é  deveras importante ter em mente princípios que nos liguem umbilicalmente àqueles que nos elegeram como representantes políticos (com ou sem mandato). Se não formos capazes de deixar claro essas fronteiras que nos separam e nos distinguem, jamais seremos dignos de ter a confiança do cidadão para a defesa dos interesses de classe. Nesse momento patético, o voto não vem! Só para lembrar, vale citar dois Frankensteins da política local: Chapa Mauro Nazif e Carlinhos Camurça, em 2000... fracasso. Natanael Silva comandando uma enorme mistura de siglas antagônicas em 2002... fracasso! Você pode não acreditar, mas há coisas mais importantes na vida do que ganhar uma eleição vendendo a sua própria história.

“Não somos pessoas iguais em partidos diferentes. Somos pessoas diferentes em partidos opostos” (DN). Esse princípio tolo e básico vale para a esquerda, para a direita e para os perdidos.


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