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Publicado em Sexta, 21 de Março de 2014 - 11h52

Para além de Cefeida

David Nogueira


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 "Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você."
(Carl Sagan)

 
 
Frequentemente, nas noites de céu limpo, quando as coisas mundanas me parecem extremamente chatas e monótonas, pego-me a olhar para o infinito.
Puxa, como o espaço é grande, né?!
Ver aquele monte de estrelas espalhadas como diamantes em um macio veludo preto é lindo e, ao mesmo tempo, assustador. O piscar incessante daquela multidão de brilhos lembra o pátio de um jardim de infância, onde crianças correm de um lado para o outro e gritam sem parar, na tentativa de concretizar uma comunicação caótica por natureza. O que será que as estrelas falam entre si? Provavelmente, a Terra não é motivo de sua agitação, e os pobres seres aqui viventes não lhes preocupam. Afinal, somos extremamente importantes apenas para nossas queridas mamães.
 
2-   Como é grande
 
Nada como um pouco de cultura deveras perturbadora... Existe uma estrela chamada “Um Cephei”, fica na constelação Cefeida. Não conhece? Nem eu. Mas fui dar uma olhada, afinal, sinceramente, não sabia se é a dita cuja ficava à esquerda ou à direita de quem sai de Rondônia em direção ao céu. Perto dela, nosso Sol, proporcionalmente, teria o tamanho de um grão de areia, dos pequenininhos, diante de uma bola de basquete bem cheia. Incrível. O diâmetro dessa estrela tem o tamanho da órbita de Saturno... Putz! Dá para imaginar um objeto assim flutuando despretensiosamente no espaço em algum canto? Voltei para o lado de fora e fui olhar mais uma vez o céu... Lá estão as pepitas brilhando, mas não consigo ver a tal “Um Cephei”. Mas ela está lá, eu sinto!
 
3-   Vizinhança distante

 
Segundo algumas informações nada profundas, só nas vizinhanças, existem três grandes aglomerados de galáxias. São as turmas de Virgem, de Centauro e de Hydra. Essas três gracinhas ficam dentro de uma área cujos extremos distam, aproximadamente, 200 milhões de anos luz. Dá para conceber uma distância desse tamanho? 200 milhões... anos luz... Volto para o lado de fora e bate uma angústia profunda. Sem ver a Lua, por muitas vezes o retrato de mim mesmo pousado no céu, sofro o bombardeio de perguntas profundamente embaraçosas. Que diabo afinal sou eu? Para onde estamos indo? O que estamos fazendo aqui na Terra nesse ponto ínfimo, distante e perdido do espaço?
 
4-   Não só os bebuns filosofam

 
Não obstante nosso ínfimo tamanho, o ser humano é detentor de uma incrível capacidade de potencializar a mediocridade. Olho para os pontinhos no espaço e reflito sobre o paralelo de nossas vidas aqui neste cantinho sideral. Onde fica a solidariedade dos minúsculos?... Precisamos ser diferentes.
No concreto, organizamo-nos pela política e caminhamos, bem ou mal, graças a ela. Se não refletirmos sobre o quanto somos pequenos e frágeis, nossos avanços tendem a ser lentos e tumultuados. Não quero ver pessoas com o nariz fincado no pé e o rabo preso na porteira da fazenda conduzindo os destinos de todos aqueles que possuem olhos voltados para o céu. A esperança coletiva não pode ser subjugada ao interesse privado, familiar e comercial.
 
5-   Como fazer?
 
Meus olhos, por vezes, passeiam pelo céu (isso não é raro). Gosto de brincar com as estrelas e ver o quanto a Lua é parceira. Nem sempre os vejo com a dimensão que realmente possuem. Meditar bastante sobre isso pode não ser muito bom. Meu olhar é outro. Vejo todos os objetos brilhantes pendurados no firmamento à espera de um toque. Não precisa ser com a mão. Não precisa ser com a nave. Pode ser com a construção de uma ponte segura entre o que somos e o que gostaríamos de ser.
Eis o mistério. Como juntar pecinhas para lá chegar?
Caramba, se o céu estivesse nublado ou enfumaçado eu não teria escrito essas bobagens...

*Putz!
É duro reconhecer o fato de sermos muito menos do que nada!


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