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Publicado em Domingo, 16 de Dezembro de 2012 - 11h37

DOIS ANOS SEM ODAIR CORDEIRO - Por Ivonete Gomes

Ivonete Gomes


DOIS ANOS SEM ODAIR CORDEIRO - Por Ivonete Gomes

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“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”. O pensamento é do maior expoente da literatura inglesa durante o período vitoriano, Oscar Wilde, e, perdão pela impessoalidade, leva-me à lembrança de um paulista de nascença e rondoniense de coração que viveu como poucos. Há dois anos, Odair Cordeiro nos privou de sua alegre presença para entrar em nossa feliz memória.

O homem de olhos esbugalhados com um sorriso farto nasceu pelas bandas de Catanduva no dia nove de julho de 1943 sob o signo de câncer. De uma inteligência ímpar, jamais acreditaria na influência dos astros. Cético, desconfiaria das características impostas pelo cosmo de que rabugice faz parte da natureza do canceriano, que pessoas regidas por este signo  simplesmente idolatram a mulher amada e desconfiam de estranhos que saem a esmo abrindo o coração para qualquer um, antes que tenha total confiança. De fato, Odair acharia tudo isso uma grande tolice, mas ele era exatamente como o universo previu que seria.

O militante político e representante comercial - nessa exata ordem, disse o saudoso Paulo Queiroz - chegou à Rondônia em 1980.  Era casado com Maria Lúcia, com quem mantinha uma relação de notório companheirismo, cumplicidade e carinho. Dessa parceria amorosa surgiram os filhos Francisco, João e Luciana.

Com a “cachorrinha” ainda por desfazer, conheceu duas outras grandes figuras: José Neumar da Silveira e Bernardo Ciro Lopes. O trio se uniu em torno da ideia de fundar o Partido dos Trabalhadores em Rondônia. Entre uma feijoada e outra, o delírio de que o Brasil seria um dia comandado por um ex-metalúrgico. Dona Lúcia tornou-se anfitriã das ações de arrecadação de trocados para a implantação da então pequenina sigla. E haja feijão!

Investido de genialidade, Odair Cordeiro não vivia da esperança de uma política mais justa, ele lutava diuturnamente por ela. Era o militante mais agregador do PT em Rondônia. Unia gregos, troianos e jornalistas em torno da ideologia pela qual lutava e vivia.

De cabelos brancos e rugas do rosto decidiu que queria fazer jornalismo. Fez um período e justificava a desistência com o bom humor que lhe era peculiar: “quando o IBGE bater à minha porta poderei dizer que tenho nível superior incompleto”.

Odair Cordeiro, militante político, representante comercial, pescador e folião da Banda Do Vai Quem Quer – nessa exata ordem – morreu às cinco horas de uma quinta-feira, 16 de dezembro de 2010. Não viu realizado outro grande sonho: o de ver uma mulher na presidência da República brasileira.

Odair Cordeiro não viveu. Odair Cordeiro celebrou a vida.


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