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Publicado em Segunda, 01 de Dezembro de 2014 - 11h39

É estelionato, sem tirar e nem por

Gessi Taborda


É estelionato, sem tirar e nem por

Tivesse as revelações do envolvimento do governador Confúcio Moura na corrupção institucionalizada em seu primeiro governo, pela Operação Plateias, tornadas públicas antes do início do 2º turno da eleição, que venceu principalmente pela votação inimaginável conseguida em Porto Velho, ele certamente não conseguiria os votos necessários para garantir um segundo mandato.
E verdade seja dita, estaria enfrentando um estado pegando fogo para sua imediata saída do governo. Certamente repetiria o mesmo episódio protagonizado por Roberto Sobrinho, que não conseguiu fazer a transmissão de posse na prefeitura.
Relembrando o mote principal para conseguir mais essa vitória, a do combate à corrupção, não é difícil constatar que a vitória de Confúcio Moura decorre de um estelionato eleitoral.
 
DEMONIZAÇÃO

Muito mais do que demonizar o adversário Expedito Júnior, o candidato chapa-branca adotou um marketing agressivo para garantir que Expedito – por ter sido cassado no Senado – representava um enorme retrocesso para o estado rondoniense. Agora, pelas revelações da PF em sua “Operação Plateias” viu-se que verdadeiramente contaminado com a corrupção no estado sempre esteve o governador.
 
BURACO DO TITANIC

Há muita polêmica em torno do segundo mandato de Confúcio. Inclusive apostas de impugnações. Ele na verdade responde já ações que apuram os supostos crimes eleitorais do abuso do poder político e econômico, entre outros. Essas ações podem inviabilizar a diplomação e até a posse do filosofal político ariquemense. Há uma tendência generalizada nos TREs brasileiros de não fazer vistas grossas a quem topou tudo para ganhar o Poder. É a tal tolerância zero à corrupção.
Então é isso, mesmo sem sofrer de imediato os efeitos da conclusão das descobertas da Operação Plateias (que podem não só justificar uma condenação com perda de mandato e dos direitos políticos), Confúcio vai terminando o ano de 2014 com um rombo no casco da sua nau, tentando evitar que os vazamentos a levem a pique repetindo a tragédia do Titanic.
 
SEM SUSTENTAÇÃO

Se conseguir sobreviver graças a notória lentidão da Justiça, o filosofal político ariquemense vai tomar posse do segundo mandato em 1º de Janeiro de 2015. Terá contra si um dia amargo após o outro. Ele sabe que na plataforma onde atua não existe amizade. Para não cair pela via política, terá de alimentar os interesses partidários e corporativos que lhe permitiu, como foi afirmado pela grande mídia, fazer uma campanha caríssima, com cada voto custando próximo dos 50 reais.
O cenário é mesmo de desanimar. No ano vindouro – se mantiver o mandato – Confúcio não terá legitimidade política necessária para enfrentar o mar revolto sem constantes perigos de soçobrar.
 
ERRO HISTÓRICO

O governador deve saber, mais do que ninguém, que o próximo mandato começa com as contas públicas muito estragadas. Não poderá dessa vez, atribuir o “erro histórico” ao antecessor, que ele próprio. Verá que foi uma tremenda gaiatice a “mentirinha” que pregou ao longo da campanha de que os fundamentos da economia rondoniense estavam sólidos, o bastante para garantir que suas promessas de melhorar de verdade o estado, com o atendimento às demandas em segmentos fundamentais como saúde, educação, segurança pública, saneamento, etc, etc.
Rondônia está à beira de um precipício. Evitar que ela quebre de vez não será uma tarefa para se resolver com “mantras” filosóficos de alguém que só tem filosofia no nome.
Há, a meu ver, um erro letal para o homem acusado de chefiar a quadrilha composta por seus parentes, responsável por transformar o estado num vergonhoso balcão de negócios. Imaginar que a Justiça Eleitoral, os MPs (federal e estadual) e o próprio STJ estão todos dominados.
 
ENTRAVADO

A falta de confiança na política (e tem?) do PMDB rondoniense, aliada à falta de confiança no próprio Confúcio é o principal entrave ao crescimento econômico de Rondônia. Aliado a tudo isso temos ainda um governo perdulário, dominado por acordos e conchavos políticos-eleitorais que, entre outras coisas, está lotado de cargos comissionados, CDs e não de um corpo técnico desmotivado e jogado para escanteio. E olha que não falamos até aqui do crescente déficit público rondoniense.
E com as operações da polícia federal e dos processos que caminham na Justiça Eleitoral mostram que a percepção sobre o próximo mandato está muito ruim. Não vou me admirar se a palavra impeachment do governador se tornar uma constante no próximo mandato. A não ser, claro, se a Justiça Eleitoral decidir logo que as práticas do abuso de poder político e econômico devem ser impeditivo para Confúcio começar.
 
MAIS EXIGENTE

Embora considere um erro da população ter dado a Confúcio um novo mandato (mais pela falta de Oposição consolidada) temos de reconhecer diante do resultado final, com uma faxina razoável nos limites do parlamento, que a população aumentou seu engajamento em favor da implementação da democracia (sem adjetivos) no Estado.
Ela, imagino, estará mais atenta às atividades políticas e governamentais. Isso significa que colocará mais rapidamente no cadafalso quem ficar marcada com as tendências da corrupção. Não há mais espaço para as Anas da 8 da vida; para os “zequinhas dinheiro na cueca” e vai por ai afora.
O povo está terminando o ano de 2014, consciente de que a consolidação do processo democrático em nosso estado acaba coexistindo com hemorragias internas que sangram as instituições.
Um número cada vez mais da população estará de olho aberto para identificar as pessoas importantes do governo, a banda podre da iniciativa privada, do Parlamento e mesmo do Judiciário, que conspiram com seus atos contra o espírito da democracia republicana.
 
IRRESISTÍVEL

Está se tornando irresistível, todavia, a onda de interesse despertado pelas eleições, campanhas difamatórias e mentirosas e a revelação do entranhamento profundo do desvio de dinheiro público em favor de partidos, empreiteiras e gente ligada ao governo e partidos. O conluio desonesto entre maus agentes públicos, detentores de mandato, de toga, e os empresários que não honram a tradição de competição livre de mercado conspurca a trilha de desenvolvimento e empaca o estado. Tenha o governo muito cuidado com formação do secretariado para o próximo ano. O povo vai reagir os donos desse voraz apetite em cima do dinheiro público, que alimenta as necessárias Operações da PF, como essa “Plateias”.


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