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Publicado em Terça, 21 de Julho de 2009 - 11h41

Economia 10 - Moral 0:

Vinício Carrilho




Para esclarecer o título, vejamos um exemplo concreto (o que não quer dizer, exatamente, correto) da relação razoabilidade/previsibilidade no atual estágio da economia e da moral pública brasileiras.

O Brasil recebeu a nota ou conceito chamado “grau de investimento” (BBB-) de agências regulatórias internacionais, o índice máximo seria de países como Canadá, EUA (AAA). Isto significa que os riscos enfrentados pela economia brasileira são pequenos ou com pouca probabilidade de ocorrência, como a inadimplência, os calotes (moratória), a instabilidade institucional que provoque graves rupturas econômicas ou mesmo um acentuado descontrole das finanças.

Em resumo: o “grau de investimento” é um indicativo externo da boa saúde da economia brasileira (independente da crise moral). Isto também implica em um grau de confiança maior para aqueles investidores internacionais que procuram lugares (países) estáveis para seus investimentos de longo prazo, como na produção industrial de modo amplo (processo chamado de “inversão de capitais”).

Desse modo, mesmo em épocas de “crise”, como as duas mais recentes, seria muito mais difícil para este investidor retirar, resgatar todo o investimento feito aqui, porque não é fácil se livrar de uma fábrica, de equipamentos (do “capital fixo”). Ao contrário, países de maior instabilidade econômica só atraem “capital financeiro”, especulativo, ou seja, as ações podem ser compradas e vendidas num piscar de olhos pelas Bolsas de Valores — e isto literalmente quebra economias de países e até de blocos econômicos em formação, a exemplo dos “Tigres Asiáticos” ou o “Efeito Tequila” no México, em 1994. No entanto, esta é apenas uma, das tantas formas de crise do “capital volátil” que já enfrentamos.

O problema da economia é semelhante ao do poder: é mais difícil manter-se do que conquistar. É mais fácil crescer, do que manter o ritmo de crescimento com confiança.

Mais difícil ainda, entretanto, é que ocorra uma distribuição social desse “crescimento econômico” ou, mais propriamente, o tão esperado “desenvolvimento econômico” que é a base da Justiça Social.
Por isso, agora associando moral e, especialmente, “economia popular”, o Brasil e os brasileiros (que já saíram da “menoridade política”) não podem mais admitir o direito de errar. Errar, aqui, implicaria na morte ou, na melhor das hipóteses, na sobrevida de milhares, senão de milhões de brasileiros já há muito empobrecidos em suas “vidas secas” — e ainda que sempre esperançosos de uma moral mais zelosa do bem público.

Por fim, outra relação com nosso momento da economia, diz respeito à credibilidade, pois, além, de não ser passível de erro, não é sequer razoável um vacilo moral.

O Brasil, como exemplo real dessa última afirmação, “de erro em erro” (em paralelo às fraudes e engodos), ainda rasteja e não consegue sair da linha do “zero” em termos de moral pública. Aliás, faz é tempo que estamos entre a moratória e a falência múltipla dos órgãos públicos.

Vinício Carrilho Martinez – Pós-doutor em Educação pela Universidade Estadual Paulista (UNESP); Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP); Doutorando em Ciências Sociais; Mestre em Educação e em Direito; Bacharel em Ciências Sociais e em Direito; professor da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

Marcos Vinícius Rivoiro – Mestre em Direito; Bacharel em Direito; Coordenador do Curso de Direito da FARO; professor da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

(Disponível em https://www.rondoniagora.com/artigos/economia-10-moral-0)
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