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Publicado em Quarta, 22 de Abril de 2015 - 14h52

Férias? No máximo 15 dias

Serafim Godinho


Férias? No máximo 15 dias

Férias é o plural do termo latino Feria que designava o dia de festas. E é isso que esperam todos aqueles que passam o ano no trabalho:  festas, alegrias, passeios, diversões e viagens.

Esse é o perigo, as expectativas nunca são plenamente atendidas, por diversos motivos.  O mais importante é que nas férias, você permanecendo em casa ou viajando você sempre está com você. Não há como deixá-lo para trás, e leve e solto partir para as diversões esperadas. Seu ego estará sempre presente, sem falar nos outros familiares: esposa, marido, filhos e tem quem leve até a sogra, por exigência do cônjuge.

Se ficar em casa, com poucos dias você está desgastado ou com o fato de fazer nada ou de trabalhar demais nos serviços domésticos, além das chances das discórdias familiares ocasionadas pela presença permanente, junto à mesma pessoa.

Se viajar, não há como escapar das esperas em rodoviárias ou aeroportos, o cansaço e desconforto das viagens, a malandragem dos taxistas, os preços exorbitantes dos hotéis e restaurantes, ou se hospedar em casa de parentes, a desconfiança de que está trazendo desconforto, sempre preocupado em se deparar com a vassoura atrás da porta.Na verdade a grande maioria das pessoas voltam mais cansadas e preocupadas. É o momento do encontro com a realidade, com as contas a pagar, com a volta à rotina do trabalho e da sensação de que não teve aquilo que esperava, e ainda com o risco de ser substituído no trabalho, por aquele que ficou em seu lugar e se destacou.

A dificuldade em relaxar é um problema que vem se agravando. Por um lado, durante as férias as relações familiares acabam se estreitando naturalmente e trazendo à tona, novamente, alguns conflitos não resolvidos. De outro lado existem aqueles que utilizam as férias para um determinado tipo de trabalho ou para fazer cursos. Nunca se desligam. E o que é pior, há aqueles que decidem embarcar em excursões desgastantes, em pacotes turísticos que prometem conhecer toda a Europa em dez dias ou em passeios que tiram toda a energia física, deixando na volta o turista um farrapo humano precisando mais do que antes de férias. A obrigação de preencher o tempo livre com centenas de atividades aliada a dificuldade de se desligar transforma o descanso em cansaço. Tenho observado que é nocivo permanecer trinta dias fora de sua rotina de trabalho; defendo por experiência própria, de amigos e pacientes de meu consultório e também pelos exemplos de outros países, que quinze dias de férias contínuas é o suficiente. Há quem prefira dividir suas férias em duas, uma semana para cada semestre. Se achar pouco se lembre que Deus em uma semana fez o mundo e ainda sobrou um dia para o seu descanso.

E ainda há aqueles que não precisam de férias, já que tem os esperados e merecidos fins de semana, depois de dar duro no trabalho de segunda a sexta feira. Se bem administrados, tornam-se tão prazerosos que resolvem nossas necessidades de férias. Na verdade, o culto ao ócio parece estar com os dias contados. Relaxar, desligar-se do trabalho, aproveitar o tempo livre, para não fazer nada, mesmo nos finais de semana, está cada vez mais difícil. Celulares, laptops, comunicação com o escritório, ou a arrumação da casa dos armários e até os bicos realizados para aumentar a receita doméstica, estão transformando os sagrados momentos de sossego em uma maratona estressante de problemas a serem resolvidos.
Hoje em dia, uma tarde na rede, de papo para o ar, parece empolgar menos do que a ginástica da academia, uma volta de Jet-ski, uma partida de vídeo-game, ou mesmo as cansativas baladas, regadas a bebidas e estimulantes. O problema é que transgredimos o primeiro mandamento das férias: Não ter compromissos.
Quanto mais o ser humano fica ansioso para relaxar, menos ele relaxa. É um fenômeno parecido com o da insônia. Quem olha para o relógio insistentemente, pensando que precisa dormir logo para acordar bem disposto, não consegue dormir. Mas ao contrário do que se possa imaginar, um mês inteiro de pernas para o ar, literalmente, nem sempre é o ideal à saúde. O ideal, já afirmamos, é distribuir o tempo livre em quatro semanas ao longo do ano. É preferível recarregar as baterias em doses homeopáticas, quando se chega a uma situação limite de stress, a esperar o ano inteiro por um único intervalo de descanso.

Um teste para medição de stress desenvolvido por um psiquiatra Americano revela que o ocasionado por umas férias prolongadas equivale a praticamente um quinto do provocado pela morte de um filho, que é considerada fonte máxima de stress e sofrimento conhecido. Hotéis lotados, engarrafamento, incerteza com relação à estabilidade no emprego têm tornado as férias mais desgastantes. O problema, obviamente, não está nas férias, mas na forma de encará-las. Quem entende os pequenos infortúnios como parte inevitável dos programas de férias não se desgasta tanto. Trânsito congestionado na volta de finais de semana prolongados, por exemplo, faz parte do pacote de viagens. A maioria das pessoas não abre mão de um mês de férias para relaxar. Mas pessoalmente não defendo um mês inteiro nem quatro semanas distribuídas no ano. O importante é priorizar objetivos. Para quem sabe fazer isso, até dois dias de descanso podem ser suficientes. Há muitos preferindo alguns dias de folga às férias. Você já ouviu falar em férias de um dia? Pois acredite, um dia bem programado dá para fazer a mala e partir rumo à curtição. Pesquise locais e destinos legais como cachoeiras, praias, rios ou parques de sua cidade ou de uma cidade próxima, combine com seus amigos e pronto. Está aí um dia de férias bem divertidas
Há pessoas que amam o trabalho de tal forma que nunca precisam de férias. Aliás, é antiga, de Confúcio, a frase: quem gosta do que faz nunca vai trabalhar um dia sequer em sua vida. São os apaixonados pelo trabalho, que não vêem um final de semana como uma obrigação de diversão e que estão convictos de que a paranóia do lazer é mais desgastante que o trabalho. E fazem isso em finais de semana, feriados, natal e ano novo. Mas os poucos momentos que tem de folga o fazem ficar eternos. Além disso, ouvem música enquanto trabalham, aproveitam para viajar a serviço e nessas ocasiões sempre tira um tempinho para o lazer.

Vamos combinar, para as férias serem boas, é preciso termos alguém para ligar, ou para curtir nossas postagens no facebook, para ler nossos Emails. Imagina, vocês voltando das férias dos ” sonhos”, de sua viagem “maravilhosa”, sem ter um amigo ou um familiar interessado em ouvir suas histórias e ver suas fotografias? Afinal, sem isso para que férias? É isso o bônus pelo sofrimento e desgastes das longas viagens, assentados em poltronas apertadas de automóveis, ônibus ou avião.

Para não entrar no time daqueles que reclamam que voltam das férias, mais cansados do que foram, é importante lembrar que ao contrário do significado de férias, que os faz pensarem em festas, lembre-se da palavra feriado que o remete a lembrança de repouso.

Pensamento da Semana.

Seja humilde, siga o exemplo do sol, que apesar de toda sua grandeza se põe e deixa a lua brilhar. Saiba que todos, no final, somos iguais, temos o mesmo destino. E o que vale na vida, não é o ponto de partida e sim a caminhada, que é a própria vida. Portanto, viva-a com intensidade, mas desprovido de vaidade.


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