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Publicado em Segunda, 12 de Novembro de 2018 - 10h08

Guerra silenciosa de bastidores

por Sérgio Pires


Guerra silenciosa de bastidores

A cerca de 80 dias da posse dos membros eleitos em outubro para a futura Assembleia, parece que está tudo calmo pelos lados do legislativo rondoniense. Não está. Há uma grande batalha, ainda silenciosa, em torno da escolha do novo presidente e da nova Mesa Diretora, que assumem em 1º de fevereiro do ano que vem. Há pelos menos três grupos fortes se formando. Um deles já teria 14 deputados. Outro garante também que tem 14 apoiadores, ou seja, nessa conta, estão sobrando quatro votos, já que existem apenas 24 deputados. Há uma terceira via, ainda sem divulgar seus apoios, liderada por um nome forte vindo do interior. O governador eleito e seu principal aliado no parlamento (o deputado eleito Eyder Brasil), já avisaram que suas preferências recaem sobre o deputado José Lebrão, do MDB, o mais votado nesta última disputa. Contudo, outra força estaria se formando, com nomes como os dos deputados Jean de Oliveira, Laerte Gomes e vários outros, representando forças políticas importantes. Ninguém fala oficialmente sobre o assunto. O deputado de Ariquemes, Alex Redano, também sonha com a presidência. A verdade é que não há ainda nada decidido. Teremos mais de dois meses e meio pela frente, com muitas conversas e reuniões de bastidores, tratando do assunto. Só na última hora se saberá, exatamente, quem tem mais voto entre seus colegas.

Caso Sedam: Polícia levanta mais provas contra organização criminosa e prisões foram prorrogadas

A Operação Pau Oco, que se realiza dentro da Sedam, continua andando e a cada dia encontrando novas evidências de corrupção que estaria ocorrendo dentro do órgão responsável pelas questões ambientais do Estado. De outro lado, nessa semana, o governador Daniel Pereira começou a nomeação dos substitutos dos servidores presos ou afastados. O novo comandante é o engenheiro florestal Renato Berwanger da Silva, servidor de carreira do Estado. O biólogo Jorge Lourenço da Silva será o adjunto. Ambos foram nomeados depois das prisões do agora ex secretário Hamilton Pereira e de seu adjunto, Osvaldo Pitaluga. Outra prisão importante foi a do engenheiro florestal Flávio Augusto Tielleti, detido, numa operação midiática, dentro de um avião da Azul, que recém chegara ao aeroporto de Porto Velho, na quarta-feira. A verdade é que o esquema que envolvia muito dinheiro, tinha a participação, segundo o inquérito policial enviado à Justiça e acatado pelo desembargador Oudivanil de Marins, (número do processo: 0006177-84.2018.8.22.0000) de vários servidores, que teriam formado uma quadrilha para extorquir usuários da Sedam, falsificar documentos e se beneficiar de todo o esquema. Num texto de 62 páginas, foram nominados os envolvidos, quando o Magistrado determinou as prisões de alguns; afastamento imediato do cargo que ocupam, em outros casos e ainda autorizou busca e apreensão de documentos, para que se ampliem as investigações. Segundo as denúncias, Flávio Augusto Tiellet (assessor do Governo), Hamilton Pereira (secretário agora defenestrado e preso) e Osvaldo Pitaluga, adjunto, também preso, era o trio de comandantes. Tiellet, preso dentro do avião, quando retornava a Porto Velho, não era lotado na Sedam, mas sim na Governadoria, “mas agia como se secretário fosse, conforme depoimentos de várias testemunhas”, diz a denúncia.
Vários outros servidores do órgão foram afastados e o trabalho policial começa a colher frutos importantes. O caso é gravíssimo e ainda pode chegar a muito mais gente, inclusive um ou outro peso pesado. Ligações telefônicas interceptadas e conversas via internet, comprovariam várias das acusações contra os envolvidos. As informações liberadas sobre a Operação concluíram também que, embora o comando da Sedam funcionasse no Palácio Rio Madeira/CPA, era na antiga sede da entidade, na Estrada de Santo Antônio, que funcionava parte do esquema ilegal. Num dos casos (há inúmeros exemplos), o inquérito conta a historia de um engenheiro florestal que teria sido obrigado por Hamilton Pereira, o ex secretário, a modificar parecer contrário à uma empresa, que, mesmo com várias irregularidades, teve sua licença expedida. Está tudo no inquérito. O grupo é acusado de extração ilegal de madeiras em áreas florestais de jurisdição estadual, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, entre outros crimes. Fiquemos de olho, porque vem muito mais coisa por aí...

Um governador que não pode errar

A lista da transposição anunciada pelo governador eleito Marcos Rocha ainda é o assunto do momento. Nela há excelentes nomes, outros tantos desconhecidos, mas há também aqueles que podem ser chamados, no mínimo, de “altamente problemáticos”, para usar um palavreado mais soft. E é com esses que ele precisa se preocupar, até para manter seu discurso de que vai governar com uma equipe só de primeira linha, com técnicos, especialistas, ficha limpa e prontos para iniciar um governo onde o combate à corrupção será a mais forte prioridade. Claro que na maioria dos casos, os processos contra alguns membros do time de Rocha ainda estão andando, não há sentença. Mas em outros, já as há. Portanto, é importante que, eleito com o discurso da limpeza geral; da diferença e do combate tenaz à corrupção, o governador que assume em janeiro reveja algumas coisas, veja outras e comece sem deixar qualquer suspeita de que, dependendo do assessor, vai agir como agiram outros governantes: fazendo de conta que nada aconteceu. Talvez outros políticos até pudessem usar esse típico jeitinho, mas não o Coronel Marcos Rocha. Ele veio com a promessa de mudar as coisas na nossa política. E tem tudo para fazê-lo, porque tem o apoio da grande maioria dos rondonienses. Pois, que o faça!

Miranda comanda time do governo

O chefe da Casa Civil, Eurípedes Miranda é o principal nome indicado pelo governador Daniel Pereira para comandar a transição de governo, trabalhando com a equipe de Marcos Rocha. Fazem parte ainda do time palaciano, que vai abrir as informações sobre o Estado para seus novos comandantes, o procurador geral Juraci Jorge da Silva; Pedro Afonso Pimentel, secretário de Planejamento e Franco Ono, secretário da Fazenda. Os adjuntos de cada pasta também vão participar. Pela Casa Militar, o coronel Figueroa vai representar a equipe na transição. Elias Rezende de Oliveira será o principal representante do grupo de Marcos Rocha, nesse período de transição. Os trabalhos já iniciaram e os dados do Estado, em todas as áreas, começam a ser repassados para o grupo representante do novo governo. Enquanto isso, o governador eleito começa agora a montar seu secretariado e a planejar as primeiras ações que tomará, ao assumir o poder.

Diplomação festiva na Unopar

É apenas pró forma, mas é uma solenidade sempre importante e aguardada pelos eleitos, porque quando recebem seus diplomas, estão oficialmente no rol daqueles que foram escolhidos pelo povo para representá-lo. Por isso, a cerimônia de diplomação dos eleitos (governador, vice, senadores, deputados federais e deputados estaduais, incluindo alguns suplentes), é um evento que faz parte do calendário eleitoral e é muito aguardado pelos eleitos. A solenidade desse ano, segundo anuncia o Tribunal Regional Eleitoral, será no dia 18 de dezembro, uma terça-feira, a partir das 17 horas. O local escolhido foi o auditório da Unopar, na avenida Rio de Janeiro, um excelente local que pode abrigar cerca de mil pessoas sentadas e é dirigida pelo empresário Paulo Andrade. A previsão é de superlotação, porque o evento é sempre prestigiado por familiares e amigos dos que vão ser diplomados. Receberão seus diplomas o governador Marcos Rocha; seu vice, José Jodan; os senadores Marcos Rogério e Confúcio Moura; os oito deputados federais e os 24 deputados estaduais eleitos, além dos suplentes. Vai ser, sem dúvida, uma grande festa.

Duas chapas disputam a OAB

No Brasil das forças políticas, quando termina uma eleição, começa outra. Agora, ela é muito menor, mas não menos importante. A Ordem dos Advogados do Brasil, subseção Rondônia, vai escolher seu novo presidente, depois de dois mandatos recheados de sucesso do advogado Andrey Cavalcante. Duas chapas vão concorrer na disputa que acontecerá no próximo dia 19, daqui a oito dias. Os candidatos são Elton José Assis (apoiado pela atual diretoria) e Maracélia Lima de Oliveira, de oposição. A eleição acontecerá simultaneamente em Porto Velho e nas 18 subseções da OAB Rondônia, das 9h às 17h, quando os advogados e advogadas irão escolher os novos representantes da Seccional, das Subseções e da Caixa de Assistência dos Advogados de Rondônia (Caaro). A chapa eleita, que indicará também os nomes que vão compor o Conselho Federal da OAB, terá um mandato de três anos, com possibilidade de apenas uma reeleição. A disputa está renhida, mas o que se ouve no meio dos advogados é que a chapa da situação esta tendo maior receptividade. Saberemos se isso é real quando as urnas se abrirem...

O maior de todos os escândalos?

Há uma grande expectativa nos meios políticos e empresariais para o que vai sair das investigações sobre o BNDES e, principalmente, para quem foram os bilhões de reais que, ao menos até agora, praticamente ninguém sabe como e porque foram utilizados. O presidente eleito Jair Bolsonaro reiterou essa semana, outra vez, que vai atender o anseio dos brasileiros e abrir o que todos chamam de “caixa preta” do Banco de desenvolvimento. Ele repetiu pela enésima vez. “Vamos abrir todos os sigilos do BNDES, sem exceção. É o dinheiro do povo e nós temos que saber onde está sendo usado”. Alvo de operações policiais, no BNDES foi descoberta apenas a ponta do iceberg e os ex ministros Guido Mantega e Antônio Palocci, além do ex presidente da instituição, Luciano Coutinho, já foram indiciados por operações ilegais. O mesmo aconteceu com o empresário da JBS, Joesley Batista. Quando tudo for escancarado, há quem diga que será de conhecimento público o maior, mais incrível e poderoso sistema de corrupção da história do país. E que tudo o que aconteceu na Petrobras será apenas o equivalente à arrecadação de um batedor de carteiras no metrô carioca, ante o volume da corrupção que será descoberto no BNDES. Veremos se tudo isso é verdade, no início do ano que vem, quando Bolsonaro cumprir sua promessa.

Perguntinha

Se você fosse comerciante e houvesse dois feriadões no intervalo de duas semanas (Finados e Proclamação da República), mesmo você tendo que pagar todos os impostos e tributos no final do mês, você desistiria de trabalhar ou apenas arrancaria mais alguns tufos de cabelo?



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