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Publicado em Terça, 22 de Setembro de 2009 - 09h39

Hildebrando Pascoal se considera preso político

Altino Machado


O ex-deputado Hildebrando Pascoal retoma nesta manhã a sua autodefesa no julgamento como acusado de ter liderado uma sessão de tortura durante a qual o mecânico Agilson Firmino dos Santos, o Baiano, foi mutilado com o uso de uma motosserra e assassinado com tiros na cabeça. Na noite de segunda-feira, Pascoal demorou quase quatro horas para expor a biografia dele e de familiares e se declarou preso político.

O ex-coronel da Polícia Militar do Acre responsabilizou o ex-governador Jorge Viana, o ex-procurador-geral da República no Acre, Luiz Francisco Fernandes de Souza, além do desembargador Gercino José da Silva, ex-presidente do Tribunal de Justiça e atual Ouvidor Agrário Nacional, como agentes de sua perseguição política.

No começo do depoimento, Pascoal se reservou ao direito de não responder quando o juiz perguntou-lhe sobre quem havia torturado e assassinado o mecânico. O réu disse que faria revelações sobre a autoria ao término de seu depoimento e avocou o direito de fazer a própria defesa

Após três horas e meia de manifestação, o Ministério Público chegou a cobrar do juiz Leandro Leri Gross, da Vara do Tribunal do Júri, que tomasse uma decisão no sentido de forçar Pascoal a encerrar a sua defesa.

- Ele está tergiversando em relação às acusações que lhe são impostas e que o trouxeram ao banco dos réus - afirmou o promotor de Justiça Álvaro Maia.

Leandro Gross reconheceu que Hildebrando Pascoal não estava se atendo ao “crime da motosserra”, mas ponderou que não poderia cercear o direito dele de se defender como bem entendesse sob pena de ser arguida futuramente a nulidadade do julgamento.

- O senhor pode continuar a autodefesa, mas precisa compreender que a maneira como está procedendo não contribui para o convencimento dos jurados Aqui o senhor precisa explicar aos jurados sobre quem levou a vítima para o galpão onde foi torturada, quem a retirou de lá e quem a torturou e assassinou - advertiu o juiz.

O bispo dom Moacyr Grechi, que esteve à frente da diocese de Rio Branco (AC) durante 27 anos, participou como testemunha de acusação. Ele se reportou a vários episódios para reforçar o envolvimento de Hildebrando Pascoal como líder do esquadrão da morte no Acre.

- Quando sequestrou a mulher e os filhos de José Hugo, assassino de seu irmão, várias autoridades se reuniram na sede do Tribunal de Justiça. Ele chutou a porta e invadiu a sala e ameaçou a todos. Quem me contou no mesmo dia foi o desembargador Arquilau Melo [atual presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Acre]. Na ocasião, o Arquilau disse: “Somos reféns de um bandido” - relatou o bispo.

Porém, Grechi fez questão de assinalar que Hildebrando Pascoal jamais o ameaçou. Ele disse que uma fonte teria lhe revelado que ex-coronel o mantinha numa lista de adversários em relação aos quais não alimentava ódio.

- Meus sentimento em relação ao senhor não mudou em nada, bispo - afirmou Pascoal quando Grechi passou por ele o cumprimentou com um aperto de mão no banco dos réus.

- A iniciativa do cumprimento foi minha, mas também dele - disse o bispo ao deixar a sala do júri.


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