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Publicado em Quinta, 03 de Janeiro de 2019 - 09h35

Mesa da ALE: primeiro grande teste

por Sérgio Pires


Mesa da ALE: primeiro grande teste

O Coronel Marcos Rocha começa seu governo com uma base política ainda muito frágil do seu partido, o PSL, que elegeu apenas um deputado estadual, o Sargento do Exército Eyder Brasil, que, obviamente, será o líder do Governo na Assembleia. Rocha terá que conversar muito, abrir um caminho de diálogo com vários dos antigos e novos deputados, para conseguir tocar sua administração do jeito que quer, porque sem o apoio do legislativo, pouco poderá fazer para mudar realmente as coisas. Um teste vital para ele será a eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia, o grande tema político do momento. Se conseguir eleger uma Mesa de simpatizantes e parlamentares que estejam tendendo a apoiá-lo, Rocha vai navegar em mares tranquilos, nessa relação com o parlamento. Mas se forem adversários os vencedores, grupos que representam outras ideias, projetos e ideologias, ele poderá ter muitos problemas. Esse teste já está em andamento e o resultado só se saberá em 1º de fevereiro, quando a nova Mesa tomará posse em solenidade programada para a Casa de Shows Talismã, na Capital.

Uma esperança: alguns poucos brasileiros mostraram que podemos mudar como povo e como país

Vamos combinar: esse início de 2019 foi muito diferente do que a mesmice dos últimos anos, pelo menos de uma década e meia para cá. Claro que houve muito coisa ruim, como as mortes no trânsito; a dezena de casos de feridos por balas perdidas no Rio de Janeiro; a violência nas ruas, que continuou, lamentavelmente, dentro da “normalidade”. Mas que houve muita coisa diferente, legal, transformadora, houve sim! Cada um que escolha suas cenas preferidas. Quem sabe uma sucessão de belas imagens de uma das posses presidenciais entre as mais belas de todas, desde que a TV começou as transmitir? Ou a quebra de protocolo, com a primeira dama do país, Michele Bolsonaro, fazendo um discurso na linguagem de Libras? Ou o beijo no marido-Presidente, atendendo pedido do público? Quem sabe a multidão de mais de 125 mil pessoas, gritando o nome do Presidente e o chamando de Mito? Se você preferir a cor local, se emocionou também com as lágrimas do Coronel Marcos Rocha que, ao discursar, chorou ao lembrar de um menino que pediu ajuda, durante a campanha, porque só tinha farinha com sal para comer? Ou ainda do bebê Julia, filha do Governador empossado, dormindo no colo da mãe, dona Luana, enquanto o pai discursava e prometia mudar para melhor a vida dos rondonienses? O choro do novo governador do Rio de Janeiro, Wilson Wetzel, ao ouvir o Hino Nacional em sua posse, não seria uma daquelas cenas inesquecíveis? Ou você teria se emocionado com a festa de grande parte do povo brasileiro, cheio de esperança com a perspectiva de que nosso país volte a crescer, a dar oportunidade a todos, a ser decente e livre da corrupção?

Obviamente que tudo isso mereceria ser o destaque do ano novo que começou. Que cada um faça sua escolha. A coluna vota em todos esses acontecimentos, diferentes, num ano que começa recheado de sonhos e boas expectativas. Mas faz questão de destacar uma cena, isolada, registrada como um detalhe, no meio de uma multidão poucas vezes vistas em Brasília. Por que? Porque a foto registra uma mudança de comportamento. E nada muda se as pessoas não mudarem. Está na mídia, basta procurar. No fim da solenidade de posse de Jair Bolsonaro, uma meia dúzia de brasileiros, armados com sacos plásticos enormes, saiu à rua catando o lixo produzido durante a festa. No Rio de janeiro, onde o povo que participou da festa de Réveillon deixou mais de 200 toneladas de lixo na praia, não houve nada de novo. Sem esperança. Mas quando alguns poucos brasileiros demonstram que tudo pode ser diferente e que depende apenas de cada um (aí sim!) há um sinal claro de que ainda podemos mudar como povo e como país. O 2019 que chegou promete! Tomara que não nos decepcionemos!

Janeiro e seus carnês

Volta à realidade. É janeiro. Do IPTU. Do IPVA para placas com final 1. De dezenas de impostos, taxas, tributos. Das contas do Natal. Dos carnês que vão chegando e se acumulando. Da compra do material escolar e das matrículas para quem paga escola particular para seus filhos. É o janeiro que pode vir com um aumento de mais de 25 por cento nas contas de energia elétrica, caso a liminar concedida pela Justiça, em primeira instância, contra o abuso, seja derrubada. É o janeiro em que centenas de pessoas que ocupavam cargos de confiança nos governos de Confúcio Moura e Daniel Pereira receberam seu boné e estão desempregadas, principalmente aquelas de segundo e terceiro escalões. É o janeiro em que o clima político vai subir, com a disputa acirrada pela Presidência e pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. O ano começa sim com muitas esperanças de melhoras, mas que não nos enganemos: se elas vierem, vão demorar muito ainda. Portanto, que acordemos para a realidade. Janeiro e suas contas a pagar estão aí!

Nomeações só nesta sexta

Depois de dois dias sem comandantes nas pastas estaduais, o governador Marcos Rocha nomeia, nessa sexta, sua equipe de governo, já escolhida, mas ainda não oficializada. A solenidade será no teatro estadual, a partir das 9 horas da manhã. As nomeações terão valor legal apenas quando publicadas no Diário Oficial do Estado, coisa que poderá acontecer, apenas no final de semana, numa edição extra do DOE. Rocha tomou posse na manhã de terça e tão logo saiu do Palácio das Artes, fez um curtíssimo pronunciamento depois de empossado, saiu correndo – junto com sua esposa, dona Luana e com o seu secretário de saúde, Fernando Máximo – para voar a Brasília e participar da posse de Jair Bolsonaro. O casal Rocha, aliás, divulgou fotos nas redes sociais ao lado do Presidente (uma delas ilustra a coluna de hoje) e da primeira dama, Michele. Nesta quinta, Rocha e Máximo se encontram com o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, em busca de apoio e para solução urgente em relação a superlotação do Hospital João Paulo II e de liberação de 85 milhões de reais para obras do Heuro. Aliás, o governador que saiu, Daniel Pereira, disse que deixou nos cofres do Estado mais de 65 milhões para que as obras do Heuro pudessem ser licitadas. Marcos Rocha não confirmou a informação.

O otimismo do prefeito

O prefeito da Capital, Hildon Chaves, acompanhado da primeira dama, dona Ieda, não esteve na posse do governador Marcos Rocha, na terça. Mandou representante. Mas o casal foi pessoalmente à posse de Jair Bolsonaro, somando-se aos milhares e milhares de brasileiros que foram acompanhar o evento histórico. Nas redes sociais, o prefeito deixou várias mensagens à comunidade, destacando sempre que 2019 será um ano de concretizar muito do trabalho que está sendo feito e entregar obras importantes. Numa dessas mensagens aos internautas, ele escreveu: “os céus de Porto Velho são incomparáveis! Além de nossas belezas naturais...Porto Velho é hoje uma capital mais limpa, iluminada e com mais qualidade de vida para a população. Nunca antes tivemos tanto investimento em espaços públicos, e assim, estamos rapidamente dando uma nova cara à cidade. Ainda temos muito trabalho pela frente, e vamos juntos fazer da nossa, a cidade que todos nós merecemos!”. Hildon está indo bem em vários setores. Precisa encontrar ainda soluções para a saúde pública, para realmente ter o que comemorar no final deste seu terceiro ano de administração.

Temer, pela porta dos fundos

Foi uma vitória de Pirro, mas, no final, foi uma vitória. Michel Temer deixou o poder pela porta dos fundos, porque certamente não queria levar uma vaia brutal ao descer a rampa do Planalto, ao lado da sua esposa. Ele realmente não foi um Presidente que o Brasil esperava, mas teve o mérito de segurar uma crise que se mostrava indomável e, ao mesmo tempo, reverter a tragédia econômica que se abateu sobre o país, transformando nosso PIB negativo em números positivos. Atacado duramente pela esquerda, que tentou destruí-lo de todas as formas, como se fosse dele toda a “culpa” pelo impeachment de Dilma Rousseff, Temer foi um dos políticos mais atacados pela TV Globo, em toda a história recente da República. A mais poderosa emissora do país (que, felizmente, está perdendo seu poder de controlar corações e mentes da imensa maioria dos brasileiros), tentou, de todas as formas, derrubar o Presidente legitimamente empossado. Por três vezes Temer foi denunciado, em duas escapou de perder o mandato com apoio do Congresso, mesmo a grande maioria dos congressistas morrendo de medo de se tornarem também alvos da Globo. Mobilizando toda a sua equipe de jornalistas, a emissora somou denúncias a factoides, conseguiu apoio de parte do Ministério Público e do Judiciário e jogou todas as suas fichas para derrubar o Chefe da Nação. Ajudou a torná-lo um recordista em impopularidade. Mas não conseguiu retirá-lo a fórceps do poder, como queria. Temer saiu pela porta dos fundos, mas saiu ileso. A Globo perdeu.

No final, uma decisão errada!

Não foi inteligente. No apagar das luzes, os deputados estaduais aprovaram uma lei que os beneficia, com mais dois salários e isso caiu muito mal perante a comunidade. A ALE teve uma legislatura extremamente positiva, sem escândalos, sem problemas, com avanços concretos. Entre eles, a conclusão, com custo muito menor do que se imaginava, do seu novo prédio, prestes a ser inaugurado. Os deputados tiveram envolvimento em praticamente todas as mais importantes questões do Estado, ajudando o Executivo nas crises e lutando pelo direito da população, mesmo contra o Governo, quando isso era necessário, como no caso da criação de onze áreas de proteção em Rondônia, o que atingiu duramente centenas de famílias. Todas as concorrências públicas foram transmitidas pela internet. Foram ações transparentes, que colocaram o parlamento rondoniense como exemplo para muitos outros, em todo o país. No período em que comandou a ALE, Maurão de Carvalho deu um show de competência e boa administração. Mas...No final, ao pagar das luzes, quando o parlamento estava pronto para encerrar um período como provavelmente o melhor da sua história, alguns deputados que não se reelegeram inventaram de criar essa história dos salários extras. Deu no que deu. Espera-se que essa medida errada seja corrigida depois do desgaste, absolutamente desnecessário.

Dois aliados importantes

Além disso, o Governador poderá ter aliados fortes em pelo menos duas prefeituras importantes do Estado; Ariquemes e Pimenta Bueno. Em Ariquemes, o jovem prefeito Thiago Flores, que tem grande futuro como homem público e tem feito um governo diferente, sem o mesmo tipo de acordos tradicionais na política (quem é do meio entende muito bem o que se quer dizer!), entrou no ano passado no PSL e é uma liderança incontestável na sua região. Ele e Rocha tem, certamente, muitas coisas em comum, na visão de como se deve gerir a coisa pública. Será ouvido pelo novo Governador? Já em Pimenta Bueno, o delegado Arismar Araújo, que se elegeu sem acordos políticos e usando apenas o PSL como mote, pode ser um parceiro importante do Governo. Thiago e Araújo têm em comum, também, o fato de serem policiais civis e admiradores de muitas das ideias do presidente eleito Jair Bolsonaro. Vamos ver, a partir de agora, como Marcos Rocha se sairá também em relação às conversações políticas com seus (poucos) companheiros de partido aqui no Estado...

Perguntinha

Depois de tudo o que você viu na troca de governo, tanto em Rondônia como em Brasília, suas esperanças aumentaram ou você acha que tudo vai continuar o mesmo do mesmo?




(Disponível em https://www.rondoniagora.com/artigos/mesa-da-ale-primeiro-grande-teste)
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