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Publicado em Terça, 01 de Setembro de 2015 - 11h24

O "maestro" que merece um Nobel - Por Ivonete Gomes

Ivonete Gomes


O "maestro" que merece um Nobel - Por Ivonete Gomes

Dos milhares que lhe são gratos, poucos o reconhecem pelo cabelo meio grisalho, corpo franzino, sorriso comedido e pose de peão. Não ligam a pessoa ao nome nem aos atos, embora já o tenham visto ora ou outra em programas de televisão ou fotos nos jornais. Ele não é Nobel de medicina ou paz, mas um legado faz jus a seu nome no rol de benfeitores como Malala Yousafzai, Shirin Ebadi, Jimmy Carter, Nelson Mandela e Dalai Lama.

Henrique Prata, o fazendeiro que se tornou herói do Brasil no combate ao câncer, comanda a maior e mais avançada instituição de oncologia do país. Em 2014, realizou mais de 740 mil atendimentos a 130 mil pacientes de quase mil e 800 municípios brasileiros. O Hospital de Barretos reúne uma equipe de 3,5 mil funcionários e 380 médicos. A obra filantrópica tem um déficit mensal de R$ 11 mi e sobrevive de repasses do SUS, doações de empresários e artistas e dos mais de mil eventos realizados para arrecadação de fundos.
“Quando falta dinheiro, eu busco tudo o que há de melhor, eu provoco todo mundo para que todo dia seja melhor, para que hoje seja melhor do que ontem. Eu não me conformo, pois todo dia há uma forma de ser melhor”, disse ele em depoimento ao portal Saúde Business em fevereiro de 2013.

Os números desnudam uma árdua batalha da perseverança contra as adversidades, mas são pequenos quando comparados aos reais resultados. A grandeza do trabalho de Henrique Prata está na história de uma mãe que sobreviveu a tumores no útero ou de um pai vitimado por um câncer no fígado que morreu em Barretos com a dignidade jamais oferecida àqueles de baixo poder aquisitivo.

Câncer é doença cara. São os menos afortunados - antes condenados à venda de todo e qualquer patrimônio em busca de cura - ou aqueles sem nenhuma esperança de sobrevida, que mantêm Henrique Prata nas orações diárias.

Com a filosofia de que a fé o aproxima de Deus, Prata vem salvando milhares de vidas e oferecendo milagres às famílias Brasil afora. Em Rondônia, a instituição (criada por seu pai no interior de São Paulo há pouco mais de meio século) atende a quase 1,8 mil pessoas - 95% dos casos registrados - e vai expandir esse número com a construção do Hospital de Câncer da Amazônia. Do povo sofrido dessas paragens do poente, Prata tem grande reverência, profundo respeito, amor.

Com modéstia que lhe é peculiar, Henrique Prata afirma: “O hospital sobreviverá a mim... sou só um maestro da orquestra. Deus me converteu para parar de pensar em bois e pensar em pessoas doentes. Minha fé não permite parar e a filosofia da instituição é tão maior que só precisa de um maestro que não a deixe desafinar”.

Nessa sinfonia afinada contra o câncer sob a batuta de tão valoroso maestro, só nos cabe singela e reconhecida lembrança de seu nome para, a exemplo de Chico Xavier, ser o próximo brasileiro indicado a um Nobel. Oito milhões de coroas suecas seriam bem vindas à causa para salvar mais Maras, Marias, Joões e, quem sabe algum Juarez que esteja por aí à espera de voltar para casa com a saúde reestabelecida. 

*Dedicado a Juarez Alves da Silva, vencido pelo câncer em setembro de 2014. Morreu dignamente amparado por grandes e generosos profissionais do Hospital de Barretos comandados com a benevolência e dedicação deste grande homem batizado com o nome de Henrique Prata.


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