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Publicado em Segunda, 22 de Abril de 2019 - 11h08

O Tiradentes!

por José Felinto*


O Tiradentes!

O século XVIII ou o Século das Luzes foi testemunha de várias transformações: sociais, políticas, econômica e culturais.

O ideal iluminista que irá suplantar o Antigo Regime surge na Europa, logo criará capilaridades no Novo Mundo. As ideias de Montesquieu e tantos outros cruzam o Atlântico, germinam em terras americanas e em pouco tempo ruíram o sistema colonial.

Fato é que em 4 de julho de 1776, os colonos da Nova Inglaterra declaram a Independência das 13 Colônias e libertam-se do julgo metropolitano, surge a primeira República do mundo alicerçado nos ideais iluministas.

Dentro deste cenário de convulsão, a burguesia parisiense leva à cabo a Revolução Francesa. Foi a Queda da Bastilha no dia 14 de julho de 1789. A ordem dos Estados era rompida pelos ideais de Liberté, Egalité e Fraternité: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Em terras americanas, sob o poderio da coroa lusitana, as ideias iluministas também serão sentidas, porém, diferente do cenário europeu e da América do Norte. Na colônia portuguesa, o temor do fim do pacto colonial levou Portugal a sufocar a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana. A primeira defendia a emancipação política em relação à Portugal e a segunda além da emancipação política defendia ainda o fim da escravidão. Ambas eclodiram em 1789 no Brasil.

É neste cenário de exploração colonial que ganha destaque Joaquim José Xavier da Silva, que a historiografia nos legou sob a alcunha de Tiradentes.

Dentre os líderes da Inconfidência Mineira, Tiradentes era o único de origem mais humilde, isso quando o comparamos às outras lideranças do movimento. Cláudio Manuel da Costa era letrado de família abastada e ex-funcionário da Coroa Portuguesa. Tomás Antônio Gonzaga foi ouvidor em Vila Rica. Alvarenga Peixoto era latifundiário. Francisco de Paula Freire era Tenente Coronel. E, Joaquim José Xavier da Silva, o Tiradentes era.... pobre!

A província de Minas Gerais estava obrigada a pagar o quinto para a Coroa. Na prática tinha que pagar 1500 kg em ouro e quando não conseguiam fazê-lo era decretada a derrama, isto é, tinham que pagar o que faltava mediante o uso das armas. Atente -se para o fato de que a Província passava por sérios problemas econômicos devido a queda na produção de ouro desde a década de 1760 e para agravar a situação foi expedido um Alvará Régio em 1785 determinando o fechamento de manufaturas locais, obrigando a população a consumir apenas produtos importados de Portugal.

A delação ocorreu no dia 15/03/1789. O coronel Silvério, latifundiário introduzindo no movimento delata os inconfidentes em troca de perdão de suas dívidas.

Tiradentes foi preso em 10 de maio de 1789, no Rio de Janeiro, quando angariava recursos, armas e adeptos para o movimento separatista.

Separar-se de Portugal era o principal objetivo da Inconfidência Mineira, porém, o movimento foi delatado por membros do próprio grupo, sendo que apenas Tiradentes foi condenado à pena de morte.

Joaquim José Xavier da Silva, permaneceu preso durante três anos até a sua condenação à forca. A pena foi executada: enforcado e esquartejado, na praça da Lampadosa, no Rio de Janeiro, dia 21 de abril de 1792.

Seu corpo foi retalhado e seus membros foram pendurados em postes entre Minas e Rio de Janeiro. Desta forma a Coroa Portuguesa deixava claro: cuidado, não simpatizo com subversivos.

Tiradentes é patrono das Polícias Militares do Brasil e o dia 21 de abril, data da morte de Tiradentes, é feriado nacional, a fim de lembrar a Inconfidência Mineira.


*José Felinto é professor, graduado pela Universidade Federal de Rondônia (Unir).


(Disponível em https://www.rondoniagora.com/artigos/o-tiradentes)
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