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Publicado em Terça, 09 de Dezembro de 2008 - 17h50

Parque Chico Mendes tem mais público que estádio - Altino Machado

Altino Machado


Após enfrentar há quatro anos uma grave crise de gerenciamento, quando chegou a ser fechado e sofreu perdas de fauna e flora, o Parque Ambiental Chico Mendes conseguiu, a partir da gestão do prefeito Raimundo Angelim (PT), se transformar num dos pontos mais visitados de Rio Branco, a capital do Acre.

Localizado na rodovia AC-40, a 10 km do centro da cidade, o Parque foi criado em 1996 em homenagem ao seringueiro Chico Mendes, cujo assassinato completa 20 anos no dia 22 de dezembro, sendo seu nome reconhecido internacionalmente pela defesa que fez dos povos da floresta e do uso racional dos recursos naturais da Amazônia.

- Recebemos em média, de terça a sexta-feira, 12 mil estudantes. Nos finais de semana, o público varia de três a quatro mil visitantes. Recebemos ao todo 190 mil visitantes no ano passado, o que supera o número de torcedores que compareceu ao estádio Arena da Floresta - afirma o secretário de Meio Ambiente de Rio Branco, Arthur Leite.

O Parque Chico Mendes é uma Unidade de Conservação municipal. Mede 57 hectares de florestas primárias e secundárias que estão em diferentes estágios de regeneração. É um dos últimos resquícios de floresta nativa na zona urbana de Rio Branco e abriga importantes representantes da fauna e flora endêmicas.

Antes de sua criação, a área do Parque sofreu intensa ação antrópica, principalmente extração de madeira e caça. Apesar das perturbações, sua flora ainda inclui espécies com potencial econômico e medicinal, além de castanheiras (Bertholletia excelsa) e seringueiras (Hevea brasiliensis), ambas protegidas por lei.

Já foram identificadas 92 espécies em sua flora. A fauna é diversa: mamíferos (oito espécies de primatas, 12 espécies de morcegos), répteis (44 espécies), anfíbios (48), além de aves e insetos cujo levantamento ainda não realizado.

Cercado por aproximadamente 10 propriedades particulares com finalidade agrícola, uma área de invasão habitacional e dois bairros populosos, o Parque Chico Mendes abriga aspectos da vida e da cultura do homem da Amazônia - a Casa do Seringueiro, Maloca Indígena e esculturas das lendas regionais.

- Todas essas características fazem dele um importante laboratório da biodiversidade amazônica, representando uma fonte importante de pesquisa para a comunidade técnico-científica e escolar do nosso Estado - assinala a gerente do Parque Ambiental Chico Mendes, Joseline Guimarães.

A equipe que gerencia o Parque tem como missão repassar às presentes e futuras gerações a importância da preservação e conservação da floresta amazônica, bem como os aspectos históricos e culturais da região.

O Parque Mendes tem sido usado por escolas da rede pública e particular, na instrução de fauna para o Exército, apresentações teatrais, de vídeos e filmes infantis com temas de meio ambiente e fauna silvestre. Serve também para educação ambiental, pesquisa científica, lazer, recreação e a simples contemplação da natureza.

Cetas

O Zoológico do Parque Chico Mendes abriga onças, papagaios, antas, macacos, araras, onças, jabutis, porcos-do-mato, pacas-de-rabo, mutuns e até um casal de gavião-real. Nem todos se reproduzem, mas todos recebem tratamento médico no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), inaugurado em abril.

Parte de um projeto padrão implantado em 12 capitais brasileiras pelo Ibama, para combater o tráfico de animais silvestres, o Cetas de Rio Branco é um dos poucos que deram certo no país. Ele tem capacidade para receber 500 animais por ano em sistema de rodízio.

Instalado dentro do Parque Chico Mendes, o Cetas conta com uma área de quarentena com 258 m², com oito salas, sala de triagem e enfermaria. Além disso, uma área de 437 m², com 16 viveiros e sete estruturas de apoio (banheiros, depósitos, cozinha, sala de técnicos, biotério, ambulatório, enfermaria, centro cirúrgico e sala de necropsia).

É para lá que são enviados os animais apreendidos em poder de traficantes de animais silvestres ou em situação de maus tratos. Recentemente, por exemplo, um caminhão atropelou um gavião-real (Harpia harpyja) na BR-364, nas proximidades do município de Feijó, a 495 Km de Rio Branco. A ave foi deixada por um camioneiro num posto da Polícia Militar do Acre.

Durante a noite, um soldado demorou quase cinco horas para percorrer de carro a estrada com o gavião-real até o Cetas, onde a ave chegou com duas fraturas na pata esquerda. Há meses, o gavião recebe acompanhamento médico no local que foi concebido para oferecer condição adequada para recuperação, manutenção e destinação de animais silvestres.

Embora a recuperação do gavião-real seja considerada satisfatória, ele jamais poderá ser devolvido à floresta onde sofreu o acidente. As duas fraturas cicatrizaram, mas a pata do animal perdeu a capacidade de segurar suas presas com firmeza.

Em breve a equipe do Cetas vai aproximá-lo lentamente de uma fêmea que está no Zoológico do Parque Chico Mendes há quase trêss anos. Ela foi capturada no ninho após a derrubada de uma gigantesca árvore numa floresta na BR-317.

- Nossa esperança é que o casal possa se reproduzir e temos nos orientado para agir corretamente com o pessoal do Museu Paraense Emílio Goeldi e com um criador de gavião-real em Minas Gerais. A relação dos humanos com outros animais se torna dramática. Temos aqui animais vítimas de maus tratos, como mutum cego e até gavião cuja asa foi cortada por cerol de pipa, que não podem ser devolvidos ao habitat - explica a gerente do Parque Chico Mendes.

Atualmente, a fêmea de gavião-real é quem mais atrai visitantes ao Parque Chico Mendes. A harpia alimenta-se de mamíferos e também captura aves, como araras, mutuns e jacus, além de répteis, incluindo grandes lagartos. Não tem nenhum inimigo natural. Seu único predador é o homem. A “águia brasileira” faz ninhos no alto das árvores mais cobiçadas pelos madeireiros. Põe dois ovos, mas apenas um sobrevive. Chega a viver 40 anos.

As pacaranas ou pacas-de-rabo (Dinomys branickii), um raro mamífero das florestas da Amazônia ainda pouco conhecido pela ciência, despertam curiosidade. Rara em zoológico, a paca-de-rabo é relativamente comum no Acre. Um animal adulto pesa de entre 10 e 15 kg, sendo o terceiro roedor em tamanho, perdendo apenas para a capivara e o castor. É o único que usa uma pata para segurar o alimento.

O sagui-leãozinho (Callithrix pygmae), segunda menor espécie de primata do mundo, cativa os visitantes. Mas vale assinalar que a maioria das oito espécies de primatas existentes no Parque Chico Mendes vive livre. No Cetas, um casal de sagui-leõzinho cuida de seus filhotes.

O leãozinho é o menor primata das Américas. A reprodução acontece em meados de outubro, época de muita oferta de alimento e água na floresta. Nascem dois filhotes, geralmente formando um casal. Por fim, tem merecido atenção especial da equie do Cetas o filhote de macaco-da-noite.



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