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Publicado em Segunda, 13 de Junho de 2016 - 13h12

Pequenos produtores do Setor Chacareiro abastecem mercado da capital

Vanessa Farias


Chacareiros de Porto Velho abastecem mercado local com hortaliças, linguiças e até flores artesanais

O Setor Chacareiro, na Zona Leste de Porto Velho, é uma área de produção farta e constante. Representa 35% dos alimentos que vão à mesa de quem vive na capital do estado. Entre os produtos, o carro chefe são as hortaliças como cheiro verde, couve, alface, rúcula, coentro e chicória. Tudo muito bem organizado, inclusive com o registro legal de funcionários, no caso das propriedades de produção em larga escala.

Segundo Silvio Souza, presidente da Associação Boa Safra, são mais de 100 produtores só no ramo de hortaliças e, desde os pequenos aos médios, todos recebem assistência da entidade em conjunto com a Associação Vale do Sol. “Nós estamos sempre correndo atrás das demandas. Como a nossa produção não para de crescer, voltamos com a nossa ‘Feirinha da Lama’, no final da Avenida Amazonas, onde os produtores podem expor e escoar a produção”,  adiantou.

Os pequenos produtores, como o casal Raimunda Lima e Juraci Araújo Pinto, agradecem a oportunidade. Em um pedaço de terra, medindo 100x200 metros, eles mesmos fazem todo o serviço. Plantam mandioca, fazem farinha, cultivam banana, melancia, abacaxi e criam galinhas e patos. “Tudo que nós fazemos aqui vendemos nas feiras da cidade”. Há cinco anos na lida, os agricultores contam com o apoio da Emater no fornecimento de calcário para melhoramento do solo e distribuição de sementes para a ampliação da produção. Com os produtos, o casal tem uma margem de lucro em torno de R$ 1 mil por mês.

A Linha Pé de Cedro, que corta todo o setor, é rica em solo e gente com garra para o trabalho. A produtora Feliciana Silva ainda está cadastrando seu pedaço de terra junto à Emater, mas já começou a produção de cheiro verde, quiabo, maxixe e outras hortaliças e instalou o sistema de irrigação para que a plantação cresça saudável e tenha boa produtividade.

Wanderson Leandro Nascimento, outro produtor do setor, está apostando em bananas. “Aqui eu já produzi e vendi de tudo. Agora resolvi investir na banana, que com apenas 15 dias plantada já está se fortalecendo”. Segundo Leandro, em 10 meses a banana já estará pronta para colheita. “Com mil cachos por ano eu vou conseguir vender para a própria Emater e ter um lucro de até R$ 25 mil”, completou.

Autossuficiência na produção de hortaliças

Com trabalho duro e muito planejamento, Fábio Nascimento Melo se tornou outro exemplo de sucesso. Atendendo a grandes redes de supermercados da cidade, além de médios varejistas, a propriedade dele produz mensalmente 50 mil maços de cheiro verde, também conhecido como cebolinha. “É o meu carro chefe. Mas também produzimos coentro, couve e chicória”, diz o empreendedor do agronegócio.

Além do preparo da terra e o sistema de irrigação para umedecer o solo e a plantação, Fábio utiliza também a tela sombrite, que quebra os raios solares em até 35%. “As mudinhas precisam dessa proteção para crescerem saudáveis”, justifica. Para isso, o produtor conta com uma equipe de cinco funcionários, todos registrados legalmente.

Plantas artesanais para embelezar e mudas para reflorestar

O diferencial no Setor Chacareiro são os viveiros de plantas artesanais e de reflorestamento. No Viveiro Amazônia, os principais produtos são as mudas de árvores nativas e frutíferas para reflorestamento de Áreas de Proteção Permanentes (APP´s), nascentes e mata ciliar, tanto em Rondônia quanto no Amazonas, Acre e Mato Grosso.

Juliano Coenga, proprietário do viveiro, explica que mesmo com o escritório de atendimento ao público localizado na área central da cidade, uma base de vendas no Porto Velho Shopping, além da Casa Rural (loja da família), a crise econômica também vem atingindo o setor. “Neste mesmo período do ano passado, eu tinha 46 colaboradores trabalhando no viveiro, hoje só tenho seis. O mercado instável abala diretamente também o produtor”, desabafou.

Embora com dificuldade, o viveiro continua com o trabalho, coletando as mudas em pontos estratégicos da floresta e ainda comprando sementes para as ornamentais das regiões Sul e Sudeste do país.

Adubo desenvolvido por produtor de Rondônia desperta interesse de floristas do Brasil

A Rondoflores é o cartão postal do Setor Chacareiro da capital. O viveiro atende a capital e o estado vizinho Acre com as mais lindas flores decorativas. A Rosa do Deserto, importada de Taiwan (Japão) é de um encanto inigualável. Apenas a espécie produz mais de 150 cores diferentes. E o produtor ainda deu um “jeitinho” de deixar os arranjos ainda mais belos enxertando até três cores em um só pé.

Os proprietários do viveiro criaram recentemente um adubo especial que já está dando o que falar entre os grandes produtores do Brasil. A Rondoflores já está inscrita no Festival de Flores de Holambra (SP) deste ano. “Eles querem comprar de nós. Vamos começar a atender os grandes centros”, disse empolgada Graciele Auxiliadora, dona do viveiro.


(Disponível em https://www.rondoniagora.com/artigos/pequenos-produtores-do-setor-chacareiro-abastecem-mercado-da-capital)
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