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Publicado em Sexta, 22 de Fevereiro de 2019 - 16h39

Porto Velho, uma cidade cosmopolita!

por José Felinto


Porto Velho, uma cidade cosmopolita!

O que conhecemos hoje como capital do Estado de Rondônia teve o seu surgimento, crescimento e desenvolvimento no entorno, ou em razão, da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Situada à margem direita do caudaloso Rio Madeira, a cidade desenvolveu-se a partir de 1907 com a chegada da Madeira-Mamoré Railway Company.

Embora haja discordâncias em relação ao que dá origem ao nome da cidade, em relatório emitido pela Comissão Morsing, há uma citação ao Ponto Velho dos Lenhadores e ao que tudo indica os americanos passam a usar o termo Porto Velho a partir de 1907. Ao usar o termo Ponto Velho dos Lenhadores, a Comissão, à mando do governo Imperial, estaria corroborando a existência do Velho Pimentel?

Partindo e levando em conta a tradição oral - que não pode ser menosprezada -, sim.

Ressalte, porém, que antes da instalação do canteiro de obras 7km abaixo do que foi indicado pelo Tratado de Petrópolis, existiu Santo Antônio. Foi em Santo Antônio que as primeiras empresas contratadas para construir a Madeira-Mamoré se instalaram.

A primeira delas foi a inglesa Public Works em 1872 e depois a americana P&T Collins em 1877, ambas contratadas pelo coronel norte-americano George Earl Church. Tanto a Public Works como a P&T Collins não conseguem levar a cabo a construção da ferrovia em meio a floresta amazônica, esta última conseguiu um feito inexpressivo de assentar tão e somente 7km de trilhos.

Mas porque era tão difícil construir uma ferrovia na Amazônia se essas empresas dispunham de experiência e competência para concretizar tal feito?

Talvez a principal resposta resida no fato de que Santo Antônio era um inferno a céu aberto, como os engenheiros da P&T Collins relataram, sendo os dois principais inimigos: a malária e o ataque dos indígenas Mura.

Embora o ponto inicial para a construção da Madeira-Mamoré fosse Santo Antônio, no Mato Grosso a Madeira Mamoré Railway Company, optou por um local 7km abaixo de Santo Antônio, e dota o local do mínimo de infraestrutura para atender às necessidades dos trabalhadores, técnicos e engenheiros que aqui chegavam.

Surge assim Porto Velho, no Amazonas, com uma estrutura de dar inveja à muitas cidades do Brasil à época: sistemas de saneamento e tratamento de água, iluminação pública, fábrica de gelo, fábrica de biscoito, padaria e sistemas de telefonia e até iluminação pública.

O velho porto agora se apresentava como um local que dispunha das condições básicas para que as obras da ferrovia tivessem maior alento.

Prova de que não podiam cair nos mesmos erros das construtoras anteriores os americanos da May, Jekill & Randolph instalam um hospital cujo nome foi Hospital da Candelária, este considerado moderno e com condições de atender a grande demanda das frentes de trabalho da ferrovia dispunha de farmácia, enfermarias, laboratórios e sala cirúrgica. Oswaldo Cruz, grande cientista, médico e sanitarista; não poupou elogios em seus relatórios, sobre a infraestrutura do Hospital da Candelária, que se tornou uma referência.

A ferrovia avançava sobre floresta e pântanos e Porto Velho crescia em função disso.

A partir de 1908, era comum encontrar em Porto Velho pessoas dos mais diversos pontos do globo: americanos, barbadianos, chineses, belgas, russos, irlandeses, italianos, alemães, etc.

Em Porto Velho havia um ambiente cosmopolita. Falava-se inglês, dada a maciça influência americana na administração da ferrovia e o primeiro jornal impresso na cidade foi em inglês, o The Porto Velho Time.

A lendária Madeira-Mamoré foi definitivamente concluída em 1912 e apenas dois anos depois Porto Velho foi elevado à categoria de município do Estado do Amazonas através da Lei n° 757 de 02 de outubro de 1914, sancionada pelo então governador do Estado do Amazonas, Jonathas de Freitas Pedrosa.

Como parte das ações necessárias para dotar Porto Velho de independência administrativa no dia 24 de dezembro de 1914, o Governador Jonathas Pedrosa, nomeou o Major Fernando Guapindáia de Souza Brejense prefeito do Município recém-criado. A instalação do município só ocorreu no ano seguinte, a saber: 24 de janeiro de 1915.

Porto Velho foi a capital do Território Federal do Guaporé criado pelo Decreto-Lei nº 5.812 de 13 de setembro de 1943. Em 1956, o Território Federal do Guaporé passa a denominar-se Território Federal de Rondônia e em 1981 o Território Federal de Rondônia foi elevado a Estado e Porto Velho continua sendo a capital.

CURIOSIDADES:
Com o objetivo de separar a municipalidade da área de influência da Madeira-Mamoré foi criada a rua Divisória, atual Presidente Dutra. Exatamente nessa localização foi instalada uma cerca dividindo Porto Velho em duas: o lado leste era zona de influência do município e o lado oeste zona de influência da Madeira-Mamoré.

No ano de 1916 ocorreu a primeira eleição no município de Porto Velho sendo eleito o médico Joaquim Augusto Tanajura. O prefeito eleito governou no biênio 1917/1919. Tanajura votou para um segundo mandato: 1923/1925.

O município de Santo Antônio foi extinto pelo Decreto-Lei nº 7.470, de 17/04/1945. O seu espaço geográfico foi incorporado ao do município de Porto Velho.

As Três Caixas D’Agua foram construídas entre 1910 a 1912. Foram projetadas e construídas pela Chicago Bridge & Iron Works, de Chicago, Estados Unidos. Chegaram em Porto Velho desmontadas, transportadas por navios. A primeira delas foi montada e instalada em 1910 e as duas restantes em 1912. Juntas tem capacidade para armazenar 600 mil litros de água. Contribuíram com o abastecimento da capital até 1950.

*José Felinto é professor, graduado em História pela Universidade Federal de Rondônia (Unir).


(Disponível em https://www.rondoniagora.com/artigos/porto-velho-uma-cidade-cosmopolita)
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