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Publicado em Quarta, 10 de Setembro de 2008 - 10h58

Religião não se vende em prateleiras - pelo Pe. Wagner Ferreira

Pe. Wagner Ferreira


Abraçar uma religião é, segundo dados estatísticos da Pew Global Attitudes Project, mais importante para os países em desenvolvimento do que para as nações prósperas – do ponto de vista econômico. Mesmo assim, enquanto 59% dos norte-americanos crêem que a religião é importante em suas vidas, esse índice é bem menor em países como Alemanha (21%), França (12%) e Japão (11%).

O Brasil aparece como o segundo país na América Latina que mais cultiva a religiosidade, perdendo apenas para a Guatemala – 77% contra 80%, respectivamente. Espanta, também, que de cada três italianos apenas um se assuma católico, dado curioso ao considerarmos a presença do Vaticano na Itália.

Uma rápida análise sociocultural aponta para o crescimento do secularismo. Trata-se de um fenômeno característico da chamada pós-modernidade, na qual a pessoa humana, desconfiada das seguranças científicas afirmadas pelo racionalismo moderno, busca respostas no mundo sobrenatural. Parece que Deus estava “dormindo”, mas não “morto”, como afirmavam alguns. Em função disso, contempla-se uma “emergência espiritual”, acompanhada, segundo alguns sociólogos da religião, do “mercantilismo religioso”: a religião considerada produto.

Neste “mercado das crenças”, compreende-se o “trânsito religioso”, uma vez que nem sempre essa ou aquela religião consegue atender às necessidades imediatas da pessoa. Nas “prateleiras” do “mercado religioso”, tudo o que for soft é bem-vindo, atrairá mais clientes. Caso o cliente não se satisfaça, basta mudar para uma outra religião. Sem cairmos na tentação de absolutizarmos tal fenômeno, é como se a crença estivesse condicionada ao efeito rápido, como o de um medicamento.

Será que o desenvolvimento econômico, implicado também nas conquistas científicas das famosas mutações genéticas, tem conseguido transformar a religião em ópio do povo? Sem culpabilizarmos quem quer que seja, esse mercado religioso – que se vale do marketing do “é pra jᔠ– tem se aproveitado da fragilidade de pessoas interessadas em buscar segurança em um mundo de rápidas mudanças.

Se antes a religião entrava na vida de uma pessoa pela fidelização cultural e familiar, hoje é por opção. Quantas pessoas se dizem católicas porque foram batizadas, mas não sabem o que é freqüentar a Missa aos domingos ou mesmo recorrer a Deus através da oração? Alguns sequer entendem o significado da fé cristã. O que fazer, então?

A resposta para o Catolicismo está na evangelização. Cada vez mais, percebemos que, ao ser realmente evangelizado, o fiel apresenta uma impressionante qualidade de vida cristã, acompanhada do testemunho da fé. A partir do momento que ele entende Quem é o Caminho, a Verdade e a Vida, também a consciência sobre seu papel no tecido social é transformada.

O interesse da Igreja Católica, apesar do fenômeno secularista e da emergência daqueles que buscam na religião respostas imediatas para os problemas do cotidiano, é que todos alcancem a salvação em Cristo Jesus. Para isso, o importante não é o número, não é entrar na competitividade do mercado religioso, mas formar na fé discípulos e missionários de Jesus Cristo. Afinal, Jesus contou com 12 Apóstolos para levar a sua Palavra ao mundo todo.

*Pe. Wagner Ferreira da Silva é membro da Comunidade Canção Nova (www.cancaonova.com) e vive em Roma (Itália), onde faz Doutorado em Teologia Moral na Academia Alfonsiana.


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