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Publicado em Sábado, 28 de Abril de 2018 - 09h54

Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

por Juliana Maria de Oliveira


Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

Na rotina em que vivemos a resposta para essa pergunta parece cruelmente óbvia. Cada dia da semana tem 24 horas, delas podemos retirar 8 a 6 horas de sono, menos 8 horas de trabalho diário, intervalo para almoço, tempo gasto no trajeto de ida e volta ao trabalho, sobram por volta de 4 horas no período noturno, gastos jantando, vendo TV e indo dormir para recomeçar a rotina no dia seguinte. Essa é a vida de muitos, uns trabalham mais e outros trabalham menos.

Pelo segundo ano, neste mês de abril, foi realizada a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho 2018, conduzida pelo Ministério do Trabalho, demonstrando preocupação do poder público com o alto número de afastamentos do trabalho por acidente ou adoecimento. No caso do adoecimento, de acordo com o Ministério, existe o problema da subnotificação, pois o empregador tem certa dificuldade em reconhecer o vínculo entre o trabalho e o adoecimento, que termina por ser atribuído a outros motivos devido a sua característica menos objetiva.

Em 2017, entre as vinte principais causas de afastamento por adoecimento no trabalho estavam: reações ao estresse grave e transtornos de adaptação, transtornos ansiosos, episódios depressivos, transtorno depressivo recorrente e transtorno bipolar. E as causas para o surgimento desses transtornos são diversas, por exemplo, cobrança excessiva no ambiente de trabalho, falta de reconhecimento profissional, metas inatingíveis, acúmulo de trabalho, assédio moral, ameaça constante de demissão, problemas de relacionamento entre colegas, baixa remuneração e falta de segurança no trabalho.

O primeiro passo para que os trabalhadores tenham uma vida emocional e mental mais saudável ainda é o reconhecimento da existência e seriedade desses transtornos. Dentro e fora do ambiente de trabalho existe muito preconceito com relação a enfermidades de cunho psicológico ou psiquiátrico. Cabe ao empregador e aos profissionais de saúde, conscientizar as pessoas sobre como e o quanto as relações e o ambiente laboral influenciam na qualidade de vida de cada um e incentivar a busca por autoconhecimento e ajuda profissional, quando necessário.

O mundo do trabalho passa por mudanças constantes, atualmente ele é marcado pela alta flexibilização e precarização. Ritmos intensos de trabalho, aumento da competitividade, a rotatividade e a insegurança são preocupações constantes no dia a dia. Em consequência disso há uma fragilização dos vínculos de trabalho, perda do significado da contribuição de cada um, animosidade e ressentimento quanto aos colegas e outras características que deterioram as condições de trabalho que podem levar ao adoecimento físico e mental dos trabalhadores.

Além da conscientização por meio de campanhas, cada pessoa em sua singularidade deve procurar se questionar sobre como anda sua saúde emocional relacionada ao trabalho. Perceber como tem agido no trabalho, como são as relações, como tem se sentido, se está muito estressado, muito cansado, sobrecarregado, como tem usado seu tempo fora do trabalho e assim obter informações sobre si que possam prevenir o surgimento de algum transtorno psicológico ou que o ajude a procurar auxílio de um profissional que comprove que seu adoecimento está relacionado ao trabalho.

*Juliana Maria de Oliveira é Psicóloga, formada pela Universidade Federal de Rondônia – UNIR. Especialista em Gestão Organizacional e de Pessoas pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. Atende atualmente na clínica Fábrica de Competências em Porto Velho.


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