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Publicado em Segunda, 27 de Outubro de 2014 - 08h49

Um tipo de campanha inédita

Gessi Taborda


Um tipo de campanha inédita

Disseram-me minutos antes da confirmação oficial da vitória do governador, que Expedito Júnior estava sereno, a ponto de responder a alguém que lhe perguntou o que faltou para a vitória, de forma lacônica, “votos”.

AS PROMESSAS

A população responsável pelo resultado favorável ao PMDB tem a tendência de agir como sempre agiu: esquecer das promessas feitas pelos candidatos durante a campanha. Isso porque em nosso país, como sabemos, as promessas de campanhas não são mesmo cumpridas.
Caberá àqueles que deverão assumir o papel de Oposição fiscalizar de perto as propostas colocadas diante do eleitorado, como um compromisso que não pode simplesmente ser esquecido.
O governador Confúcio reeleito para mais quatro anos terá obrigação de resgatar os compromissos se não quiser correr o risco de terminar a vida pública como o ex-prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho, que também conseguiu dois mandatos.

PELO MENOS UMA

Não acredito na competência e capacidade de Confúcio para cumprir todas as promessas feitas, especialmente as ligadas à área do desenvolvimento, da infraestrutura e da saúde. Mas agora ele não é mais um político para ser tratado como adversário dos eleitores que preferiram votar em Expedito. Agora ele é, por mais um mandato, o governador de toda a Rondônia.
Então pelo menos que cumpra uma promessa que não fez: governar para todos os rondonienses.

PAÍS DIVIDIDO

O resultado eleitoral revelou uma Rondônia dividida. O mesmo aconteceu em nível de Brasil. A campanha eleitoral foi o ponto alto de uma crise que cresce há tempos: a divisão do país. Há muita gente jogando na luta de pobres contra ricos, de nordestinos contra o Sudeste (especialmente São Paulo), de negros contra brancos, na loucura de ganhar o poder total e destruir quem se oponha a esse projeto.

ÓDIO SUPERADO


Ao optar pelo projeto da reeleição, o eleitor demonstrou de forma inolvidável não ter considerado revelações sobre a prática de corrupção por colaboradores do governo reeleito, preferindo acreditar que Confúcio fez um governo importante nas conjunturas que teve de atuar.
A vitória de Confúcio foi merecida em função da qualidade da campanha que fez. E mais uma vez se confirma aquela antiga regra: “Em política, ganha quem erra menos”.
Rondônia chega ao final do processo eleitoral demandando um balanço que permita o pensamento para além dos limites evidenciados pelas campanhas. Possivelmente esta tenha sido a eleição com maior carga de acusações entre os candidatos.
Técnicas de “desconstrução”, manipulação e agenciamento do medo foram usadas à exaustão o que estimulou a intolerância e autorizou a disseminação de preconceito e ódio.
Agora o que Rondônia precisa é da união de suas lideranças, de suas forças legitimadas pelo voto, para lutar pelos interesses coletivos do estado.

DECLARAÇÕES GENÉRICAS

Boa parte dos segmentos mobilizados pelas campanhas tratou os adversários como inimigos em uma guerra civil; um tipo de engajamento que agencia o desinteresse e o ceticismo da maioria diante da própria política.  A exacerbação é uma estridência que se preenche de vazios e que se impõe pela radical despolitização.
Essa guerra (ou polarização) não permitiu um contraste entre visões programáticas, mas entre símbolos. As diferenças de programa certamente existem, mas não é possível falar delas, porque delas as campanhas não trataram.
Durante toda a campanha os candidatos não apresentaram programas, mas declarações genéricas formatadas em sintonia com expectativas difusas do eleitorado.

REFLEXO DO SISTEMA

Diante das regras eleitorais vigentes e do modelo político brasileiro, a oferta consistente de um programa político agrega desvantagens extraordinárias. Clareza propositiva, apresentação de evidências que amparem argumentos, assim como o anúncio de políticas públicas demandam partidos sérios e candidatos muito preparados, mas, antes disso, exigem um sistema politico que castigue o oportunismo, a incompetência e a corrupção.
O que temos, entretanto, é o oposto: um sistema orientado pelo vício que desaconselha a razão e premia o cinismo.

O QUE NOS ESPERA

Não sou otimista em relação ao futuro que virá da decisão das urnas. Há meu ver o risco de sairmos destas eleições pateticamente mais uniformes em torno dos mesmos impasses, mais unidos em torno da ausência de reformas e mais identificados na prática de arrastar para o futuro os problemas mais sérios. Que o futuro desminta essa minha ranhetice.
 


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