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Publicado em Sábado, 29 de Novembro de 2014 - 09h29

Vertigem

Gessi Taborda


Vertigem

Sinceramente é de dar vertigem o acompanhamento diário da política do Estado, por sua pobreza e atraso. Aqui estamos nós batendo todo dia na mesma tecla, de um estado carente de verdadeiras lideranças e de instituições dominadas pela prática da corrupção que sempre se mostra mais forte que as ações destinadas ao seu combate.
É como se estivéssemos enxugando gelo. O estado patina e não tem maiores perspectivas de avançar porque no comando do timão está o que existe de pior em sua concepção política.
A situação é tão desconfortável que alguns cronistas políticos anunciam publicamente o cansaço e prometem parar de falar, por exemplo, do personagem que encarna o governo estadual.
 
FALSA XANGRILÁ


É mesmo de dar vertigem quando olhamos o abismo colocado diante das nossas mais insistentes esperanças pela corrupção corriqueira que envolve a gestão pública rondoniense. Precisamos acreditar que ainda há coragem e determinação dos chamados órgãos de controle externo do governo para ir a fundo nas investigações, a ponto de nos livrar dos lobos travestidos de cordeiro que pretendem continuar manipulando não só os recursos públicos, mas também a mente da sociedade, usando principalmente a mídia amestrada e o marketing oficial, criando essa falsa Xangrilá.
Hoje não vou tamborilar sobre o anúncio de que outra grande operação policial programada para atuar por aqui até o próximo 15 de janeiro. Não vou falar também sobre os entraves existentes na corrida de Confúcio para o novo governo, diante das investigações sobre a suposta prática do abuso do poder político, econômico, etc, etc. Embora consciente de que a situação do governador é periclitante, se a tolerância zero à corrupção e aos crimes eleitorais estiver impregnando a nossa Justiça, não vou valar especificamente desse cenário.
 
HOMO SAPIENS

Aproveitemos esse sábado para mais uma digressão filosófica. Os fatos do submundo político rondoniense, leva-nos a uma reflexão muito maior sobre os motivos pelos quais suas figuras mais lustrosas aparecem tanto na crônica policial, como uma caricatura dos mafiosos da velha Chicago. Estou convencido de que esses políticos rondonienses ainda não merecem a designação de homo sapiens.
Lideranças de tristes figuras como Carlão de Oliveira, Irmão Valter, Ivo Cassol, Roberto Sobrinho, Marco Donadon e vai (a lista é grande) por ai afora, comportaram-se (e muitos ainda comportam) como predadores, selvagens, irracionais. Capazes de encontrar justificativas morais para roubar a sociedade, usando até violência contra quem desnudou o lado irracional seu lado irracional, de selvageria.
 
ENGATINHANDO

Esses bucaneiros da política rondoniense deixa embatucado aqueles que tentam compreender de onde vem seu sucesso eleitoral. Na verdade nem é tão difícil compreender:
No caminho da evolução, ainda estamos engatinhando e com instintos muito primitivos, inadequados para o tipo de vida que afirmamos ser nossa escolha: civilizada, doméstica e cada vez mais urbana.
Ainda na sua coluna de ontem o jornalista Robson Oliveira descrevia a contribuição de Ana da 8, Flávio Lemos, Luisinho Goebel, Maurão de Carvalho, Lebrão, Epifânia Barbosa, Edvaldo Soares, Jean Oliveira, Kaká Mendonça, Adriano Boiadeiro, Tucura, Zequinha Araújo, deputados enodoados nesta legislatura, para evitar o afastamento do governo Confúcio, em decorrência de representação de origem popular protocolada na Assembleia (e agora são duas) que precisam ser lidas no plenário.
O eleitor está ajudando a evolução. Escolheram com mais critério os próximos integrantes do parlamento, mas não deletaram todos aqueles que não prestam.
 
OBRA ACABADA

Nossa presunção é de que somos obra acabada e que não necessitamos mais evoluir. Participamos do mesmo processo universal, com pequenas diferenças, embora sujeitos às mesmas leis naturais. Além de estarmos submetidos, temos uma ingerência, também como protagonistas.
Somos capazes de interferir no processo, nem sempre no bom sentido. E é exatamente isso o que tem acontecido ao longo dos processos eleitorais de que participamos desde a primeira escolha do primeiro governador votado. Imaginamos-nos sábios, fazendo as escolhas mais acertadas, que só terão qualidade quando formos domesticados e abandonarmos a selvageria.
 
CHEGAREMOS LÁ

A nossa política vai certamente evoluir. Para frente, em outros pleitos, escolheremos melhores representantes, melhores dirigentes. Afinal, nós mesmos estamos também num processo evolutivo semelhante de domesticação, com uma experiência muitíssimo mais recente, embora progressiva, para um modo de vida urbano. Provavelmente, evoluímos de “homo domesticus” para “homo urbanus”, mas falta-nos muito ainda para merecermos o rótulo de “homo sapiens”.
 
AINDA É CEDO

O noticiário todo de ontem insistiu nesse ponto: o Brasil deixou a recessão técnica por 0,1%. E logo se viu puxa-sacos do governo petista fazendo festa, soltando fogos, com aquela conversa de que “agora vai!”.
Deixamos a recessão técnica (??) por um triz. Apenas o suficiente para sair do vermelho e voltar ao azul, ao menos teórico, já que o quadro de estagnação não muda.
 
SEM CAIXA 2

O balanço final da prestação de contas de todos os candidatos a governador é, no mínimo, uma revelação de como se compra uma eleição. O governador de Rondônia está entre os que mais arrecadaram (proporcionalmente ao número de eleitores do estado) na disputa desse ano. Foi praticamente 17,5 milhões de reais. Isso falando de contabilidade oficial e, como a gente tá careca de saber, no Brasil ainda tem a estória do caixa dois. Nessa conta não entra o que se gastou com a publicidade oficial alimentando a mídia e, claro, garantindo seu apoio. Assim, a vitória era um resultado inevitável.
 
EUFEMISMO

Não tolero mais os eufemismos na comunicação oficial da prefeitura de Porto Velho. Ora, o que significa a afirmação de que a “Emdur está próxima do alcance das metas estabelecidas”? Então temos uma Empresa de Desenvolvimento Urbano cujas metas é a troca de lâmpadas? A Emdur, é claro, não tem metas, aliás, a gestão que vai para o segundo ano não demonstrou ter qualquer meta.
Outra: “Semusb grande mutirão de limpeza na Cohab e no Trevo do Roque”. Outra conversa bovina. Certamente se alguém for à Cohab não notará qualquer diferença no bairro. Quanto ao Trevo do Roque, só rindo. Aquilo virou uma zona de bombardeio que nada tem a ver com um trevo rodoviário. É outra empulhação dessa gestão de Nazif que, lamentavelmente, continua disputando a posição de pior prefeito rondoniense.
 
NATAL ESTRAGADO

Tem político rondoniense de alto-coturno preocupado com a próxima Operação da Polícia Federal. Ninguém sabe o dia exato de seu lançamento, mas ela poderá estragar o natal de vários políticos que andaram metendo a mão no dinheiro da viúva. Afinal, como se sabe, na cadeia não tem ceia com peru.
Há políticos rondonienses na representação federal apavorados com as investigações daqueles que estão na lista das delações premiadas do “Petrolão” e de outros escândalos.


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