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Polícia

Publicado em Quarta, 10 de Agosto de 2016 - 17h50

Sem terra destroem fazenda e provocam pânico na BR-429

Da redação


Sem terra destroem fazenda e provocam pânico na BR-429

Passava das cinco e meia da tarde do dia 17 de julho quando um grupo encapuzado e armado invadiu a sede da propriedade rural do pecuarista Augusto Nascimento Tulha, a 40 quilômetros da cidade Seringueiras. Segundo ele, após a entrada dos invasores houve uma sequência de atos violentos. “Fui amarrado e torturado. Sofri ameaças com uma faca no pescoço”, conta.

O grupo invasor que tomou posse da Fazenda Bom Futuro se identifica como Liga dos Camponeses Pobres (LCP), uma organização hostil, equipada e, segundo a Polícia Ambiental, treinada com táticas de guerrilha. De acordo com o promotor de Justiça Jônatas Albuquerque, da comarca de São Miguel do Guaporé, com jurisdição sob a área invadida, não há oficialmente a confirmação de que os invasores pertençam a LCP. “Mas, trata-se de pessoas armadas que estão afrontando a Constituição. Estamos apurando a situação, levantando a materialidade e autoria dos crimes”, disse o membro do Ministério Público.

As propriedades rurais com pecuária de corte, localizadas ao longo da 429, representam 10,44% de toda produção de carne bovina do estado.  A fazenda Bom Futuro era uma das mais prósperas. O produtor Augusto Tulha aplicava tecnologia de ponta para melhorar a genética do rebanho. “Todo o gado está lá. Os bois que eles não matam para comer estão morrendo de fome e sede”, conta o pecuarista.

As fotos e imagens áreas feitas da propriedade mostram a destruição no local. O pasto foi queimado de ponta a ponta, assim como a sede da fazenda e as casas dos funcionários. As máquinas agrícolas da fazenda foram usadas para passar por cima de cochos e cercas. “A população precisa se dar conta que aqui somos trabalhadores. Junto com nossas famílias produzimos o leite, a carne, o café, o queijo que vão à mesa dos rondonienses”, desabafou Luiz Carlos, presidente da Associação dos Produtores de Seringueiras.



Para o delegado regional da Polícia Civil que acompanha o caso, Júlio Cezar, a situação abrange dois campos, o cível e o criminal. “Estamos apurando os diversos crimes praticados por esse grupo armado. As pessoas que praticaram esses atos criminosos serão identificadas e responsabilizadas”, disse o delegado.

De acordo com o secretário de Segurança Pública do Estado, Antônio Carlos dos Reis, as polícias Civil e Militar estão no local para evitar conflitos entre os invasores e os produtores rurais. Na semana passada, um grupo de agropecuaristas fechou uma das pontes da BR-429 em protesto pela morosidade da Justiça. O acesso foi liberado, depois que autoridades do governo estadual e União prometeram empenho para retirada dos invasores.

Direito à propriedade

O presidente do Sindicato Rural de Costa Marques, Rafael Arcando, questiona as autoridades sobre a demora da reintegração. “Será que realmente somos donos da nossa propriedade? Será que os invasores estão acima da lei?”, pergunta o sindicalista.

Segundo Rafael Costa, metade de dois assentamentos realizados no município de Costa Marques foi vendida. “Eles conquistas terras e vendem as propriedades”, denunciou.

A invasão à Fazenda Bom Futuro e a circulação dos invasores encapuzados vem causando pânico na população da região. “Nosso sentimento é de insegurança, pavor, medo”, disse Cátia Lima, produtora de Seringueiras.


Em discurso na tribuna da Assembleia Legislativa, o deputado Laerte Gomes (PSDB) alertou para o perigo de uma extensão dessas invasões nos demais municípios da 429. “Não podemos admitir que pessoas tomem para si propriedades alheias, usem de violência, destruam tudo o que foi construído com sacrifício e fiquem impunes. Isso precisa acabar. Não é uma questão agrária, mas criminal”, disse o parlamentar.

Justiça manda reintegrar, mas Estado ainda não foi notificado



Na semana passada, a Justiça deu ganho de causa para o fazendeiro Augusto Tulha. A sentença é pela reintegração de posse no prazo de 10 dias. Mas, segundo o titular da Segurança Pública, o Estado ainda não foi notificado. “Não podemos fazer a reintegração sem sermos oficiados. De qualquer forma, estamos nos preparando para a ação para que não haja nenhuma tragédia. Assim que recebermos o documento do oficial de Justiça daremos início as três fases da operação: levantamento completo da quantidade de pessoas que estão na área, estudo da situação e negociação”, informou Antônio Carlos dos Reis.

Vídeo mostra destruição na fazenda




 


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