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Publicado em Domingo, 03 de Fevereiro de 2013 - 11h22

"Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita" - Por Ivonete Gomes

Ivonete Gomes


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 “Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita”
A esses “beneméritos” o eleitor volte melindrosa atenção e aplique o provérbio “QUANDO A ESMOLA É DEMAIS O SANTO DESCONFIA.

Há algumas semanas, Rondônia viu surgir um “santo” no cenário público. Um empresário de extremo sucesso financeiro travestiu-se de São Francisco de Assis e distribuiu riquezas a necessitados. Esqueceu-se o bom homem de esconder a mão esquerda. Esqueceu-se o benemérito que doação por compaixão é caridade, mas filantropia por orgulho, vaidade e cargo eletivo é assistencialismo.

O empresário nos leva a rememorar aulas de catequese. Parece-nos oportuno, neste momento, relembrar o sermão de Jesus Cristo ao observar fariseus cobertos de ouro orando em praça pública para que todos vissem o quão generosos eram. Nosso moderno homem do bem faz as orações aos pobres em emissoras de rádio, televisão, jornais eletrônicos e impressos.

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Assim, também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.” Mt 23:27-28.

Na teologia do amor a Deus e ao próximo, a caridade desponta como grande virtude. O sentimento de compaixão pelos necessitados ou ação altruísta de ajuda, sem busca de recompensas, são o puro conceito da palavra.

A filantropia segue como antônimo da caridade. O termo foi adotado pelo imperador romano, Flávio Cláudio Juliano, para concorrer com a terminologia utilizada na Igreja Católica. Mas, ambos compartilham do mesmo conceito de benemerência: a doação por puro amor, desprovida de retorno material e até mesmo espiritual.

Fazer o bem sem ostentação vai além de um grande mérito. Doar sem alardear é marca incontestável daqueles indivíduos impregnados de superioridade moral. O ensinamento é bíblico.

“Assim, quando derdes esmola, não trombeteeis, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Digo-vos, em verdade, que eles já receberam sua recompensa. - Quando derdes esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita; - a fim de que a esmola fique em segredo, e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará.” - (S. MATEUS, cap. VI, vv. 1 a 4.)

A expressão “não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita” tem um forte apelo de modéstia e humildade aos benevolentes. Mas, se há a modéstia real, há o simulacro da desambição conhecida como falsa modéstia. Nesse contexto estão pessoas na busca da ocultação da mão doadora, tendo, porém, o cuidado de deixar aparecer a mão esquerda.

Pior os hipócritas que “trombeteiam” as ditas boas ações em público, mas às ocultas são incapazes de doar uma só moeda por serem vazios de compaixão ao próximo. "Os que fazem o bem ostentosamente já receberam sua recompensa (...) Com efeito, aquele que procura a sua própria glorificação na Terra, pelo bem que pratica, já se pagou a si mesmo; Deus nada mais lhe deve; só lhe resta receber a punição do seu orgulho.” Eis outro ensinamento das escrituras.

Defensor da filosofia da salvação pela caridade, o francês Allan Kardec, interpreta a ostentação de obras filantrópicas como forma de humilhação e “em humilhar a outrem, há sempre orgulho e maldade (...). Todo benefício deplorado é moeda falsa e sem valor.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo).

Portanto, seguem os ensinamentos, a caridade é delicada e engenhosa no dissimilar o benefício e no evitar até as simples aparências capazes de melindrar. A benemerência verdadeira coloca o beneficiado à vontade na presença do benfeitor, por outro lado, a caridade orgulhosa o esmaga.

Existem os verdadeiros bons samaritanos, mas existem os oportunistas contumazes na prática de maquiar a caridade transformando-a em assistencialismo. São pessoas imbuídas na busca de sucesso na vida pública e carreira na política ou, simplesmente, carentes de atenção.

A esses “beneméritos” o eleitor volte melindrosa atenção e aplique o provérbio “QUANDO A ESMOLA É DEMAIS O SANTO DESCONFIA”.


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