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Publicado em Terça, 10 de Maio de 2011 - 10h08

QUERO TAMBÉM UM RAUPP E UM NAZIF PARA ME ANISTIAR

Elianio Nascimento


Antes de ler esse artigo, sugiro que analisem bem o vídeo abaixo. É só clicar em cima.

 

 


Pois bem, recomecemos daqui... Convivi junto com outros colegas como Rubson (O Rondoniense) e Paulo Andreolli (Rondoniaovivo) nas últimas horas as tensões do movimento grevista na Polícia Militar de Rondônia. Fomos ameaçados pelos dois lados: os que estavam contra a Lei - mas achavam que buscavam seus direitos da forma como bem quisessem – e os que estavam recebendo ordens superiores. Andreolli por exemplo, foi chamado às 11 horas do domingo, em um das áreas cercadas no 1º Batalhão, pelo tenente coronel José Hélio Cysneiros Pachá (Timor Leste, Corumbiara) questionando qual o lado que ele estava. Foi irônico e disse que estava literalmente no meio da crise. Eu e ele de fato estávamos e assim ficamos, em frente ao Batalhão, o exato local que serviria de duelo entre as forças. Pachá queria na verdade que os jornalistas fossem embora. Queria executar suas ordens sem a presença de ninguém da imprensa. E isso era o que menos queriam os rebeldes. Até esse horário jornalistas nunca eram bem-vindos na manifestação dos PMs. Cheguei às 3 horas do domingo porque recebi a informação que a desocupação aconteceria naquele momento. Havia poucos militares, mas de mim exigiram ver crachá, câmera e acessaram seu notebook para verificar se eu estava escrevendo a favor ou contra eles. Aliás, era dessa forma que selecionavam quem poderia ou não permanecer por lá.

Passavam alguns minutos das 7 horas quando as tropas da COE e Força Nacional de Segurança cercaram as entradas. Andreolli corria para um lado e eu para outro. Me dizia ele que não queria estar ali daquela forma e sugeriu que no meio da confusão eminente que nos jogássemos ao chão, deixassem as câmeras ligadas e torcesse para sairmos vivos. Nova correria e desta vez eram os amotinados pedindo que a imprensa filmasse o que poderia acontecer ali. Vejam bem que o tom mudou completamente: a imprensa era necessária.

Os manifestantes rapidamente sacaram as armas e aos gritos chamavam as tropas de choque ao confronto. As lideranças deles resolveram implorar para que se evitasse ali derramamento de sangue. Mas Pachá estava aguardando ordens, que felizmente não vieram. Resultado: o domingo do Dia das Mães permaneceria assim nas proximidades do 1º Batalhão.

Longe dali, entretanto, as negociações avançavam para nada. No outro extremo, na ponte sobre o Rio Candeias profissionais de imprensa foram ameaçados, agredidos, assim como um promotor. No final de toda essa história aparecem o deputado federal Mauro Nazif (PSB) e o senador Valdir Raupp (PMDB) anunciando que irão trabalhar firme para que seja aprovada no Congresso anistia a todos os militares que participaram das manifestações ilegais em Rondônia.

Sim são ilegais porque assim diz a Constituição Federal. A mesma que os amotinados juraram manter. Não se discute aqui a busca de melhorias salariais, mas há os meios próprios. Ninguém pode sair por ai de arma em punho exigindo seus direitos. Porque não acionaram os meios legais para tal, a começar pelos heróis parlamentares estaduais que ao final foram os que mais saíram vitoriosos de tudo isso? E cito aqui a participação de Hermínio Coelho (PT), que fora algumas infelizes declarações inflamatórias para a categoria esteve sempre a frente na busca de soluções que acabassem com tudo aquilo.

Ora senador Raupp e deputado Nazif todo cidadão sabe e muito mais os policiais, que qualquer crime deve ser investigado e punido. É a máxima de uma sociedade moderna e organizada e de regimes democráticos. A ninguém é dado o direito de utilizar suas próprias razões para o cometimento de ilícitos penais. Fosse assim não precisaríamos de Polícia.

Mas o que tentam esses dois parlamentares? Simplesmente passar uma borracha em tudo o que aconteceu. Sabem o que criarão além da impunidade de hoje? O verdadeiro incentivo a que essas práticas se repitam no futuro. Falamos aqui da prevenção, a intimidação aos delinquentes potenciais e da garantia de criação de uma consciência jurídica do cidadão e sua confiança e fé na Justiça. E vocês querem acabar com tudo isso? Vivemos em um país democrático, com várias instâncias judiciárias onde possíveis crimes poderão ser discutidos com ampla defesa.

Ora nobres parlamentares, já não basta o excesso de impunidade nesse país protagonizadas pela classe política? Qual jornalista ou outro trabalhador que tem o mesmo direito quando passam por situações muito menores mas que acabam sendo levados aos tribunais? Nós por exemplo merecemos ser condenados por crimes de opinião? Nossa arma sempre foi a caneta e mais recentemente o computador e nunca ninguém quis saber de propor anistia a quem quer que seja. Querem ajudar a categoria? Contratem advogados para defendê-la. Mas fazer de conta que nada aconteceu, só mesmo a politicagem poderia ser pior do que tudo que Rondônia passou nos últimos dias.


(Disponível em https://www.rondoniagora.com/artigos/quero-tambem-um-raupp-e-um-nazif-para-me-anistiar)
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