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Publicado em Quinta, 05 de Maio de 2011 - 14h21

Liderança emergente descaracteriza luta da PM - Por Ivonete Gomes

Ivonete Gomes


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Quando o representante da categoria vê o superior como inimigo e o patrão como

explorador, dificilmente logrará êxito na empreitada por melhores salários.

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O sistema econômico vigente nos países onde reina a democracia tem a peculiar característica de luta do trabalhador pela valorização da mercadoria que oferece – a mão de obra – e a incansável busca do empregador em diminuí-la. A partir daí surge o campo sindical assumindo o valoroso papel de não transformar antagonismos em briga de gato e rato e impondo modernas relações de trabalho que exigem postura e ações contrárias a uma mentalidade reacionária.

Infelizmente, o despreparo de alguns representantes sindicais comumente transforma o conflito de interesses em uma guerra desprovida do bom senso e da análise de que o processo econômico é quem determina a fixação do valor da força do trabalho, o salário. Cabe ao representado, sindicalizado ou associado, a leitura de interesses por trás de postura obtusa desses representantes que, antes de esgotado o diálogo, proclamam o que pode vir a ser considerado um movimento anárquico.

Posto isso, a escolha de representantes deve ser ainda mais acurada quando se trata de uma categoria que erroneamente não é contemplada pela Constituição com direito à greve. Em 1992, a Polícia Militar de Rondônia entrou na história de lutas por aumento salarial e melhores condições de trabalho e, desde então, vem logrando êxito em algumas manifestações usando a tática das esposas para evitar punições previstas em lei e sensibilizar o Governo e a sociedade para a causa. Surpreendentemente, parte da categoria optou pela exposição na última paralisação, no começo de Abril, sem se preocupar com eventuais conseqüências.

Antes liderados por um grupo de mulheres experientes na luta sindical, os policiais seguem agora orientações de uma entidade criada há apenas 5 meses. A Assfapom – Associação dos Familiares dos Praças da Polícia Militar de Rondônia – emergiu como um tornado na mediação de interesses da classe e nos ataques aos oficiais que compõem o quadro da mesma categoria.

A inexperiência do representante na linha de frente da Assfapom, Jesuino Boabaid, conduziu o movimento paredista ao completo fiasco. Já nas horas iniciais de “aquartelamento” pelos familiares, quando estava em andamento uma rodada de negociação, pneus de viaturas foram furados numa demonstração notória de que o líder não compartilha do conceito do diálogo social regido por princípios básicos como: ouvir com atenção, programar e planejar a intervenção com dados estatísticos, relatórios e firmeza e demonstrar bom senso.

Conhecedor do manuseio de armas, policial militar sabe que atirar a esmo não é boa tática, mas acometidos pelo terrível sentimento de frustração – já dito em colunas anteriores – causado pela imensa expectativa criada a partir de promessas de campanha e, ainda, confundindo a figura de bom moço que passa o governador Confúcio Moura (PMDB) com a de um homem fraco e sem pulso, alguns praças esqueceram o que dita a Carta Magna e partiram escancaradamente para a greve. Esquecem as lideranças da Assfapom que nem mesmo o chefe do Executivo está acima da lei e, que sob o risco de prevaricação, deve agir em conformidade com as normas.

Como o bom líder que vai a uma luta estratégica sabendo que para toda ação tem uma reação, Jesuino e demais representantes da Assfapom devem assumir de forma íntegra as conseqüências dos próprios atos, sem expor, mais uma vez, os membros da corporação com pedidos de apoio e denúncias de retaliação, a exemplo de aviso enviado e postado no site da instituição com o seguinte conteúdo:
 

- Solicitamos a todos os companheiros de farda que se sentirem, de alguma forma, retaliados seja com perseguições, transferências e demais atos. Que nos procure, em nossa sede ou nos telefones, 69/9278-6887,69/9214-4207/9268-6667, pois todas essas medidas arbitrárias serão tratadas em reunião com o Senhor Governador, Confúcio Moura, quando o mesmo, voltar de viagem .

Se existe um acordo, tem que ser cumprido, e por “Um” todos se unirão!
Jesuino Boabaid- Presidente


A citação de Jesuino sugere que o governador teria rasgado a Constituição, portanto, deve acatar futuras decisões judiciais a partir de denúncia do Ministério Público. Resta a dúvida sobre tamanha ingenuidade de Confúcio e o levantamento da óbvia questão de que acordo nenhum é válido na ilegalidade, muito menos quando firmado sob pressão. Vê-se que, infelizmente, ávido em demonstrar a que veio e conquistar a simpatia dos associados, o jovem presidente da Assfapom colocou o Governo e si a mesmo em uma saia justa.

Voltando a teoria do tiro a esmo, é preocupante também a forma como Jesuino Boabaid dá interpretações a algumas leis que regem os militares, com aparente intuito de atacar oficiais. Seja por equívoco, seja por má fé ou por falta de assessoria jurídica, uma batalha travada contra os coronéis antigos vêm causando desnecessário constrangimento nas relações entre comandados e comandantes.

Em ofício enviado ao deputado estadual José Hermínio (PT), a associação pede apoio para o afastamento de todos os oficiais coronéis da Polícia Militar que já cumpriram 30 anos de carreira e que tenham mais de 6 anos com a patente. Tudo é justificado, segundo interpretação do Jesuino, pelo Artigo 94 do Estatuto Jurídico da PM. Diz o presidente da Assfapom que os coronéis estão irregulares nos postos. Lamentável não ter informado que a “aposentadoria” dos coronéis não é compulsória e mais lamentável Jesuino ter induzido o parlamentar ao erro quando usou a terminologia “irregular”.

Nota-se pelo ofício entregue na Assembléia Legislativa que a liderança emergente nutre uma completa confusão quanto às atribuições da entidade. Sendo a associação criada para defesa do direito dos praças, a atitude de Jesuino é contraditória, já que beneficia somente e diretamente os tenentes-coróneis. Eles sim seriam agraciados com a mais alta patente, caso os coronéis fossem forçados a ir para reserva.  Aos cabos, soldados e sargentos nada mudaria, além, é claro, da esperança de abertura de vagas para novos cursos de oficiais.

Por fim, entende-se na maioria da sociedade rondoniense, que a luta dos policias militares por melhores salários e condições de trabalho, é tão valorosa quanto o serviço que prestam no combate à violência e proteção às famílias, mas quando o representante da categoria vê o superior como inimigo e o patrão-governo como explorador, dificilmente logrará êxito na empreitada por melhores salários.


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