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Publicado em Quarta, 12 de Janeiro de 2011 - 11h28

Momento Confúcio Moura – Hospital de Campanha é tenda, não circo

Ivonete Gomes


Momento Confúcio Moura – Hospital de Campanha é tenda, não circo

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“Não basta um estado decretar Estado de Calamidade Pública, a União tem que reconhecer. É exatamente o que a equipe de três ministérios veio fazer, reconhecer ou não, de acordo com a Lei 12.340,  o Estado de Calamidade”.

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Corretíssima a informação do repórter Helter Duarte na edição do Jornal Nacional. O atendimento no João Paulo II e Hospital de Base é um caos, o atual governador já foi deputado federal, secretário de estado da Saúde e prefeito. Ponto. Faltou na reportagem a informação de que a situação não é novidade, mas que poderia ser menos crítica se secretários de saúde e prefeitos, a exemplo de Confúcio Moura, tivessem feito o dever de casa quando a oportunidade lhes bateu a porta.

A reportagem foi fiel ao que acontece nas unidades de saúde do estado. O problema tem uma única origem: a superlotação. Quem trabalha com saúde pública há anos, portanto com méritos para avaliar, insiste na afirmativa de que o Estado pode construir mais 400 leitos e em pouquíssimo tempo todos estarão lotados. O grave problema do setor em várias unidades federativas da União vai se arrastar enquanto os municípios permanecerem com o conceito de que saúde se faz com ambulâncias.

Em sua mais significava “obra literária”, Caleidoscópio, Confúcio Moura revelou outra questão: a falta de confiabilidade no sistema de saúde dos municípios. “A família enche o saco. Num piscar de olhos, chame a ambulância, mande o doente para Porto Velho...o parente fica mais ou menos satisfeito. Só depois, quando o coitado está apodrecendo ou quase morrendo, jogado no chão; numa maca fedida no chão e o parente dormindo no cimento, é que dá o estalo e todo mundo fica sabendo que seu destino está entregue ao abismo, às trevas”.  A questão é que a população de Rondônia sabe que nas unidades do Estado há atendimento, mesmo com todo o caos e sofrimento, já nos municípios não existe essa certeza.

Outro ponto fundamental para o agravamento do sistema de saúde no Estado é a falta de profissionais, principalmente no setor de traumatologia. E a questão não é só pública. Quem tem convênios ou dinheiro no bolso também enfrenta fila de espera para consulta com muitos especialistas.

É óbvio, para pacientes que aguardam atendimento imediato, um mutirão do hospital de campanha é a solução perfeita, mas é crucial que o Governo pare com o oba oba. Confúcio Moura tem se comportado como se não soubesse da situação caótica que ele mesmo mostrou nos programas eleitorais. Fez do assunto uma oportunidade para mostrar um populismo que não consegue alcançar com as palavras ora soltas ora elaboradas do seu blog pessoal.

Hospital de Campanha é temporário. É um conjunto de tendas, não um circo. Se vier, não fica por muito tempo. Daí pergunto: os acidentes de trânsito vão acabar? As doenças serão erradicadas neste período?

Tem outro detalhe que o Governo não esclarece porque, aparentemente, está adorando os holofotes. Não basta um estado decretar Estado de Calamidade Pública, a União tem que reconhecer. É exatamente o que a equipe de três ministérios veio fazer, reconhecer ou não, de acordo com a Lei 12.340,  o Estado de Calamidade. O parágrafo primeiro do Artigo 1º da lei que dispõe “sobre o Sistema Nacional de Defesa Civil - SINDEC, sobre as transferências de recursos para ações de socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução nas áreas atingidas por desastre, e sobre o Fundo Especial para Calamidades Públicas, e dá outras providências”, define que  “para os efeitos desta Lei, entende-se como defesa civil o conjunto de ações preventivas, de socorro, assistenciais e recuperativas destinadas a evitar desastres e minimizar seus impactos para a população e restabelecer a normalidade social”. Hospital de Campanha, caros internautas, só é deslocado para uma unidade da federação quando há esse reconhecimento e a lei não prevê a inclusão no sistema por inoperância de governantes.

Portanto, se Confúcio Moura tiver êxito no seu espetáculo, esta será a primeira vez que o Funcap liberará recursos para um estado não vitimado por catástrofe. A única catástrofe por aqui é a incompetência de quem governa.


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